Conhecendo nossa história com Aline Freitas



Entrevista com Aline Freitas (Mauá Memória)

1- Há quantos anos você mora em Mauá?
Nasci em Mauá, em 1979 e morei até 2006 com um intervalo de dois anos entre 2002 e 2004 em que morei fora.

2- Em que bairro ou bairros você residiu e onde reside atualmente?
Muitos lugares.
Nasci no Parque São Vicente em 1979, mas em 1980 minha família se mudou para o Jardim Anchieta, na Rua Alcina da Silva Braga onde passei toda a minha infância. Chegamos a morar no alto do Anchieta, no Morro da Careca do Padre. Depois nos mudamos para a Vila América, na Rua Dr. Fernando Costa. Depois Jd. Campo Verde bairro entre a Av. Barão de Mauá e a Av. Itapark. Depois fui morar com meu pai no Parque das Américas, depois no Jd. Rosina. Ainda, voltei a morar com minha mãe, desta vez na Vila Assis, fiquei dois anos fora e voltando fui morar novamente no Parque das Américas até eu sair definitivamente de Mauá em 2006.

3- Como era o entorno de sua casa quando veio morar aqui?
As minhas lembranças de infância são do Jardim Anchieta. Terrenos baldios, casas em construção. Brincávamos muito na rua. Juntávamos 10, 20 crianças entre meninos e meninas e brincávamos de esconde-esconde, pega-pega. Bicicleta, skate para descer as ladeiras do bairro. Lembro da biquinha na Vila Assis provavelmente não existe mais. Me lembro dos eucaliptos da paisagem no horizonte que também imagino que não haja mais esta paisagem. Amigos dos meus pais moravam na Rua Francisco Jardim, e logo atrás era a mata. Andávamos por lá com outras crianças, brincávamos numa balança feita de cordas numa árvore. Quando moramos no morro da Careca morávamos quase no topo do morro. Havia um campo de futebol e uma trilha até o Guapituba. Brincávamos muito naquele campo, e tenho boas lembranças do meu falecido pai ali. Eu e minhas irmãs soltávamos capuchetas com caderno de escola. Como era muito alto elas subiam sem muito esforço. O vento lá em cima era muito forte e as brincadeiras de assombração me deixava muito assustada.

4- O que você lembra do centro de nossa cidade nessa época?
Ainda hoje não associo a idéia de que a rodoviária do lado da Capitão João não exista mais. Ela era muito presente para mim, quando ia ao Ginásio de Esportes, duas vezes por semana. Me lembro de atravessar a cancela ferroviária com minha mãe ainda quando era aquele bloqueio simples de madeira. Depois me lembro quando instalaram aquele portão de ferro nos trilhos. Me lembro da Praça 22 de Novembro mas me lembro do cheiro do rio na beirada também.

5- Que lugar ou fato mais marcou seu passado em nossa cidade?
O Ginásio de Esportes é uma das lembranças mais queridas e nunca me esqueço na tristeza que fiquei quando fechou. Minha tia morava no Jardim Mauá, na Rua Marco Rosa. Os moradores brigaram por anos e anos para que fosse asfaltada mas eu só me lembro de ver isso depois da metade dos anos 90. Para nós, crianças era mágico brincar nas pontes. Uma feita artesanalmente pelos moradores. Outro rio que me lembro bem era do da Avenida Portugal. Estudando no Colégio Barão de Mauá saíamos da escola e andávamos muito por lá. Na saída da escola descia aquela multidão de crianças até o ponto de ônibus na Av. Dom José Gaspar para pegar ônibus. E o ônibus Vila Mercedes tinha um motorista, provavelmente incomodado com a bagunça das crianças, que deixou de parar no ponto. Fomos com uma turma de mães reclamar na garagem da Viação Barão de Mauá e desde então o motorista teve que obrigatoriamente parar.

6- Quais os comércios e fábricas mais antigos que você lembra?
No Jardim Anchieta a padaria, que deve existir até hoje, o mercado da Dona Elvira, a farmácia do Jairo, o açougue Anchieta. A banca de jornais na esquina da padaria, me lembro ainda da fisionomia do dono, capelos claros. Eu frequentava muito. Toda semana comprava gibis. E quando não tinha dinheiro trocava com os antigos, lógico, ele só trocava dois por um, rs. Quando eu me lembro do bar na rua acima, Av. Dr. de Carvalho e Sá não tem a mesma conotação de bar de bairro que penso hoje. Para mim, ainda criança o bar tinha gosto de tubaína, que era o que eu comprava lá. A minha família teve uma academia de danças no Jd. Anchieta, chamada Foot Loose. Chegou a ter 200 alunos e durou até o plano Collor...

7- Havia alguma pessoa pública (político, padre, pastor, advogado, médico, etc) que se destaca em sua memória?
Frequentávamos médicos da ABR Cofap e convênios em Santo André por causa da COFAP onde meu pai trabalhava. Lembro de políticos do bairro como a Lea, o Xoxa. Meu vizinho chegou a se candidatar algumas vezes anos mais tarde mas nunca chegou a ser eleito, o Buca. O Rimazza foi advogado do meu pai, me lembro bem dele. E me lembro do Paulo Bio com quem minha mãe alugou um salão comercial no centro, ainda naquela época, final dos anos 80.

8- Quais locais de Mauá você ia pra se divertir de fim de semana? ( salões, bares, parques)
Não me lembro de ter muitas opções, era basicamente Coke Luxe, que eu ia com muita freqüência porque como minha irmã trabalhava lá eu entrava de graça. E outra era o salão do Independente no centro também. Lembro dos bailes de carnaval no clube do Industrial. E outro lugar era a Avenida Portugal que chamávamos de Brisas, porque era o nome do bar mais conhecido da Avenida. Mas eu ia muito no Camelo's que ficava na outra esquina. Foi o primeiro lugar onde comi um Dog Prensado, rs. E diz a lenda que esse Cachorro Quente foi inventado lá mesmo.

9- Existiu, para você, algum pregoeiro (vendedor de peixe, amolador de facas, sorveteiro, etc) ou alguma pessoa que se destacou como personagem folclórica de nossa cidade?
No bairro da minha tia, no Jd. Mauá tinha o Carrão, um sujeito que andava pelas ruas resmungando e todas as crianças do bairro corriam desesperadamente para suas casas quando ele aparecia. Tinha um no Anchieta, não vou me lembrar o nome, que andava com um chapéu de guarda e quando bebia se sentia um guardinha. Nunca me esqueço uma vez em que o vi com minha mãe próximo a Praça da Bíblia causando um caos enorme no trânsito porque os motoristas acharam que ele fosse um guarda de verdade.
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Sobre Alex Shinobi

Esse texto foi trazido até você pela Equipe Mauá Memória a cidade Ontem e Hoje, ajude nosso trabalho divulgando nosso site ou enviando fotos antigas, notícias da cidade e coisas que acontecem no seu bairro entre em contato: mauamemoria@gmail.com