Conhecendo nossa história com Orlando Lisboa Almeida




Entrevista com Orlando Lisboa Almeida (Mauá Memória)

1-Há quantos anos você mora em Mauá?
Morei em Mauá dos 12 anos aos 26 anos, de 1962 a 1976. Minha família continuou em Mauá. Eu me formei em Engenharia Agronômica e migrei para exercer a profissão no Paraná.

2- Em que bairro ou bairros você residiu e onde reside atualmente?
No meu tempo de Mauá, sempre na Vila Bocaina na junção da Rua Duque de Caixas com a Avenida Itapark. Havia um lago perto de casa. Atualmente moro em Maringá - PR

3- Como era o entorno de sua casa quando veio morar aqui?
A avenida Itapark já era calçada com paralelepípedos, mas as ruas do bairro eram de chão batido. Há uma quadra de casa, esquina da Rua Duque de Caxias com a Américo Brasiliense, havia muitos terrenos baldios, ainda não divididos. Mato baixo permanente. Brincávamos de mocinho na rua e escondíamos no mato baixo ao lado da rua. Pouco carro pela rua e se vinha, vinha devagar pela rua de chão. Nesse tempo ainda não se cobria casas com telhas de fibro cimento, dessas que vento descobre e granizo fura.

4- O que você lembra do centro de nossa cidade nessa época?
Descendo a Av.Rio Branco (para ir ao Viscondão), me lembro do córrego que passava ao lado esquerdo de quem descia rumo ao centro, por dentro da cerca de tela de arame da Rede Ferroviária. Quando dava chuva grande e o córrego (tamanduateí) transbordava, ficava cheio de capim na tela, trazido pela enxurrada. Não tinha tanto plástico em 1962 ainda. E quase chegando na praça, tinha uma barraca de um velho (português) na calçada da avenida Rio Branco.
Não comprava nada lá, porque a barraca era bem precária. Já tinha a concha acústica, mas o Rio Tamanduatei que cortava a Praça XXII de Novembro tinha as laterais (taludes) de pedras assentadas, mas não era canalizado coberto. E tinha a praça, acho que já com a fonte luminosa e os pés de Chorões na beirada do Rio Tamanduatei que no local era mais um córrego na verdade. Branco com a poluição da Porcelana Real ou Colorido com a IBP Ind.Brasileira de Pigmentos...

5- Que lugar ou fato mais marcou seu passado em nossa cidade?
No Centro, a paineira, o antigo Cine Santa Cecilia, as casas dos moradores da estrada de ferro, todas iguais e com jardinzinho na frente. A garagem dos ônibus do Bozatto já no centro do centro. O ponto de taxi ao lado da estação. Antes, carros mais antigos, depois, todos DKV da Vemag. o Viscondão, nossa turma, os Carnavais no Independente (O Pelego) e o Bar ABC onde os colegas estudantes se reuniam principalmente na sexta depois da aula e nos fins de semana.

6- Quais os comércios e fábricas mais antigos que você lembra?
Na Vila Bocaina, do Empório do Dedé, o Seo Nicola Sapateiro (ele era exímio no jogo de xadrez e seus filhos, professores - Nicola Ianoccario). Na cidade, Porcelana Mauá (meu pai trabalhou nela), Porcelana Real (irmãos trabalharam nela), Vidrobras (fiz muito pagamento para os funcionarios.delas no Banco Noroeste), Curtume, Fabrica Anilina, Fábrica Bragussa, de ouro industrial. Comércio - Calçados Bozelli, Farmacia do Vivaldo de Barros Campos, Casa Lider do Sr.Elias Roitman, Bar do Zeca, Bar ABC, etc. Casa Lavenia (do Sr.José Boscariol).

7- Havia alguma pessoa pública (político, padre, pastor, advogado, médico, etc) que se destaca em sua memória?
Políticos - Elio Bernardi, Vereador Benedito Loiola, Aparecido Sanvidotti, Anselmo Walendy, Amauri Fioravanti, professor e que foi prefeito.
Padres - O Monsenhor Alexandre Arminas e o Cônego Belizário. Assisti muitas missas com eles. Dentista - Dr.Aulius Pessenti.

8- Quais locais de Mauá você ia pra se divertir de fim de semana? ( salões, bares, parques)
ir para o Centro e encontrar os amigos para bater papo (bar do Yugo, Bar ABC), ir em Parques de Diversões quando passavam por lá (inclusive perto da Vidrobrás), ir em grupo pescar na represa Billings em Ribeirão. Carnaval no Independente, onde eu era sócio proprietário.
Cine Simaflor. Ia ao cinema também. Claro, frequentava a Biblioteca do Seo Dito ali na
Av.Barão de Mauá, perto da Calçados Bozeli.

9- Existiu, para você, algum pregoeiro (vendedor de peixe, amolador de facas, sorveteiro, etc) ou alguma pessoa que se destacou como personagem folclórica de nossa cidade?
Na feira de Sábado, muitos gritavam fazendo pregão das ofertas e um deles
dizia sempre: Aqui moça bonita não paga... mas também não leva mercadoria. Tinha na rua o português com seu carrinho de animal que vendia peixes. Gritava : Eu Peixe!! Sardinha, sardinha, sardinha, sardinha... Tinha também o velho alto que vendia Machadinha, doce que só
ele eu vi fazendo um caramelo branco duro como pau, que ele andava com o doce dentro de uma pequena caixa de madeira equilibrada na cabeça. "Olha a Machadinha!!" era o brado do pregoeiro. Foram os mais marcantes na minha pré adolescência. Isto na Vila Bocaina.

10- Você se lembra de alguma lenda urbana ou história de fantasmas, ocorrida em Mauá?
não me lembro.

11- Você se lembra de algum fato curioso e ou engraçado para nos contar?
No tempo do governo militar, uma vez um dos Generais Presidentes iria passar de trem por Mauá, rumo a São Paulo. Dizem que Mauá mobilizou seus políticos e uma leva de cidadãos para uma "breve parada" das autoridades na estação de Mauá. Como a coisa não foi bem amarrada com o protocolo do Presidente, a parada não houve e os políticos e o povo ficaram “a ver navio” na linha do trem. Acho que é vero, mas não sei a data. Não presenciei o fato, ora pois!
Para completar: Quando estava em obra o Viscondão, caiu mais ou menos 1/4 da obra do lado direito. Morreu um operário. A obra ficou embargada uma pá de tempo. Depois a solução:
cortaram a parte caída e aproveitaram o restante. Coisa de brazuca da época. Da parte caída sobrou o piso que de vez em quando os alunos usavam para um futsal. E depois de pronto o colégio novo, cadê do pessoal liberar para nós mudarmos do prédio velho do Viscondão que era ao lado da paineira. Um dia professores e alunos de saco cheio, conseguiram uns caminhões da prefeitura e fizemos a mudança no braço. Fizemos uma "ocupação" do prédio. E assim foi. Isto deve ter ocorrido em 1965 mais ou menos.
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Sobre Alex Mauá

Editor Chefe do site: Alex Mauá, O portal Mauá Memória tem como objetivo divulgar os trabalhos culturais de nossa região, além de também divulgar outros aspectos da cultura como a preservação da história local e de costumes regionais, quer divulgar seus trabalhos culturais no site? é só enviar um email para: abcgeek@outlook.com