Conhecendo nossa história com Simone Bello



Entrevista com Simone Bello (Mauá Memória)


1- Há quantos anos você mora em Mauá?
Morei por 30 anos

2- Em que bairro ou bairros você residiu e onde reside atualmente?
Vila Magini e Jardim Paranavaí. Minha mãe ainda mora no Jardim Paranavaí

3- Como era o entorno de sua casa quando veio morar aqui?
Acompanhei todo o crescimento demográfico do Jardim Oratório e Ipê (que ficam próximos a Vila Magini). Vi bem areas verdes virando locais habitados e a transição da favela para casas... Acompanhei amigos e amigas, casando, se formando em faculdades e formando suas famílias. É muito bom!

4- O que você lembra do centro de nossa cidade nessa época?
Sim. Me lembro bem. Não tinhamos muito o que fazer. Só tinhamos a Symaflor e alguns bailinhos e clubes como o Independente na Rua Japão e depois a Coke Luxe. E as bandas de garagem. O Rock sempre foi um movimento importante no ABC e na década de 80, mais latente ainda.

5- Que lugar ou fato mais marcou seu passado em nossa cidade?
A Gruta de Santa Luzia e o Cinema Symaflor na minha infância. E na adolescência, o dia em que entrei pela primeira vez na capela da Santa Casa de Mauá. Eu me sentei em um dos bancos e chorei muito. A emoção foi muito forte. Também tenho imenso carinho pela Igreja Matriz de Mauá, onde cantei no Coral Imaculada Conceição e onde conheci o meu marido. Ele foi maestro assistente durante o período em que o Barbosa se afastou do coral.

6- Quais os comércios e fábricas mais antigos que você lembra?
Me lembro bem das Fábricas de Porcelana (e com muita saudade), da Tintas Globo e da Santa Marina.

7- Havia alguma pessoa pública (político, padre, pastor, advogado, médico, etc) que se destaca em sua memória?
Me lembro que meu pai me levou para conhecer o Gabinete do Prefeito Dorival Rezende. Ele era muito atencioso com as crianças. Me lembro do Sr. José Boscariol, que também foi político. Uma das melhores pessoas dessa cidade. Eu também conheci o Dom Jorge, ele e meu pai eram muito amigos. Pessoa maravilhosa. E o Cônego Belisário não só foi muito marcante, como anda fazendo muita falta em minha vida. Mas Graças à Deus ainda tenho o padre José Ailton lá na Vila Assis. O padre que me casou e batizou meus filhos.

8- Quais locais de Mauá você ia pra se divertir de fim de semana? ( salões, bares, parques) 
O Cine Symaflor. A Concha Acústica. O Bar do Bigode perto da Igreja Matriz (depois da missa de domingo, lá pelas 11h30, os cantores iam tomar cerveja lá). O Independente, a Coke Luxe. Me lembro quando o Green Plaza abriu e existia um barzinho chamado "A Toca", era frequentado pelos jovens descolados da cidade. Tenho muitas lembranças...

9- Existiu, para você, algum pregoeiro (vendedor de peixe, amolador de facas, sorveteiro, etc) ou alguma pessoa que se destacou como personagem folclórica de nossa cidade?
Eu me lembro dos senhores que vendiam doces nas portas das escolas na infância. E já na adolescência me lembro do Trailler do "Mimi" na frente da escola "Therezinha Sartori". Fazia um cachorro quente e lanches supremos!!!!!!

10- Você se lembra de alguma lenda urbana ou história de fantasmas, ocorrida em Mauá?
Me lembro de histórias de sacis e lobisomens que moravam lá na Gruta de Santa Luzia. Diziam também que o Curupira afugentava muita gente de lá...

11- Você se lembra de algum fato curioso e ou engraçado para nos contar?
O fato curioso que me lembro e gostaria de ter a confirmação da galera das "antigas", é que lá na Gruta de Santa Luzia existiu uma piscina abastecida pela nascente do Rio Tamanduateí, feita pelos escarpelinos para seus momentos de lazer e descanso antes do almoço ou depois do expediente. Era retangular e muito profunda. Revestida por pedras e que no fundo havia um crucifixo pregado. Quando a Gruta foi aberta para o público, aqueles que sabiam nadar e mergulhar entravam na piscina para tocar esse crucifixo. Muitos saiam até emocionados, pois não era um mergulho fácil e a àgua era limpa, mas tinha um tom esverdeado. Os que tocavam o crucifixo ficavam felizes por concluir a aventura... E eu que era muito pequena naquela época, nunca soube se era verdade ou não que lá havia um crucifixo. A piscina de águas limpidas e naturais foi aterrada... E mais uma parte da história da cidade foi apagada.
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Sobre Alex Shinobi

Esse texto foi trazido até você pela Equipe Mauá Memória a cidade Ontem e Hoje, ajude nosso trabalho divulgando nosso site ou enviando fotos antigas, notícias da cidade e coisas que acontecem no seu bairro entre em contato: mauamemoria@gmail.com