Série bairros: Feital


Bairro Feital

Texto de Severino Correia Dias – Professor de História.

O bairro Feital está localizado aproximadamente três quilômetros da estação de Mauá, o feital começou a ser loteado no final da década de 1950, durante o governo do primeiro prefeito eleito em Mauá, Ennio Brancalion (1955-1959) Toda a área pertencia ao Círculo Operário do Ipiranga, entidade ligada à Igreja católica e liderada pelo padre Pedro Balint.
De acordo com depoimento de antigos moradores, na época do loteamento “tudo era eucalipto”, as ruas eram de terra, não havia luz elétrica e a água só era encontrada nos poços artesianos (Muito comum neste período em Mauá), ou fontes das nascentes. Além disso, com não havia meios de comunicação adequados, as cartas, telegramas e avisos de mortes eram entregues pelo jipe da policia.
Umas das economias nos anos 50 não só no Feital como também em Mauá, eram as olarias muito comuns neste período, no qual podemos citar as que atuaram no bairro, nas quais muitos moradores trabalharam. Entre as mais antigas estão a Waddhy Auada, cujos tijolos foram utilizados na construção do Cemitério de Camilópolis, no município vizinho Santo André. Também são de uma relevância social e histórica as olarias: Oliveira, Bom Filho e Antônio Soares, cujas produções foram enviadas integralmente na edificação de Brasília, capital Federal.
O que conhecemos hoje como Unidade básica de Saúde (UBS) e a Escola D. Jorge Marcos de Oliveira, ocupava toda está área. Hoje muitos que trabalharam nesta atividade de olaria, adquiriram doenças como: Reumatismo, bronquite e outros males, devido aos árduos trabalhos exercidos, até porque era uma das poucas opções em Mauá neste período.
Além das olarias, havia em funcionamento, no inicio da década de 1960, pelo menos duas importantes indústrias de porcelana: Mizuno e Kojima. Que por sinal, dois importantes da Colônia Japonesa em Mauá. Os Japoneses chegaram a Mauá na década de 1930, para atividades de agricultura hortaliças. Os Mizuno estabeleceram no jardim Lisboa no ano de 1956. Já o “concorrente” Kojima chega em 1960 para desenvolver as mesmas atividades.
Outro grupo muito importante no bairro foi Colégio Brasileiro de Poetas, responsável, durante as décadas de 1970 e1980, pela sua colaboração literária na cidade. Um dos fatores deste grupo era a busca de liberdade de expressão em pleno regime militar. Uma forma de contestação e de resistência militar. As poesias ainda existiram e resistem através de nome como: Aristides Teodoro, Moises Dalva e Iracema Reis.
Curiosidades do bairro Feital é que o significado do nome chama-se segundo dicionário: Terras desgastadas, cansada.
Em 1.888, ano da abolição dos escravos no Brasil, Pedro Branco da Silva adquiriu uma gleba com área aproximada de 64 alqueires, ou seja, 1.548.800 metros quadrados no sitio Feital, onde passou a residir.

Neste local nasceram seus outros sete filhos: Arthur, Amaro, Benedita, Brasília, Alta, Floripes e Geraldo. A filha de Pedro Branco da Silva, Benedita Branco da Veiga (1890-1962), iniciou a venda dos terrenos da antiga fazenda.

O processo do bairro Feital é de 1º de Agosto de1962 (Mauá já é emancipada com quatro anos de independência). O número do processo 378/ 58. Alvará 1.052.
Amaro Branco da Silva, filho de Pedro Branco da Silva, que nasceu o que é hoje Feital faleceu em 30 de Junho de 1937. Foi feito seu sepultamento no Cemitério da Vila Vitória, detalhe este foi o 1º sepultamento neste cemitério. O cemitério foi inaugurado em 1934. Quando havia morte em Mauá, as opções eram Santo André ou Ribeirão Pires.

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Sobre Alex Mauá

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