Hoje Shopping, ontem Curtume Mauá



Mauá Plaza Shopping foto por Onildo Lima
Por William Puntschart

Na área de cerca de 94 mil metros quadrados, onde foi construído o Mauá Plaza Shopping, no Centro, Já se instalaram, ao longo dos anos, industrias de projeção nacional. Destacamos a Atlantis, empresa química de tintas, e a Bragussa, primeira fábrica de ouro liquido do Brasil. Ali também funcionou o Curtume Mauá, cujas operações iniciaram-se em 1938.

No curtume se faz o curtimento da pele animal com materiais químicos e/ou orgânico, para evitar a putrefação e transformá-lo em couro.
Os responsáveis pelo estabelecimento de um curtume em Mauá foram dois italianos: Ricardo Albrisi e Tomaz Talento. O primeiro era químico industrial, responsável pelas investigações, experiências e análises das substancias inerentes ao processo produtivo industrial. O segundo desempenhava as funções de engenheiro comercial, incumbindo de questões administrativas e trabalhistas do negocio. Os investimentos de Talento abrangiam também terras no Jardim Guapituba.

Curtume Mauá funcionava no terreno onde atualmente está o
Mauá Plaza Shopping
Devemos citar outros personagens ligados à história do curtume em Mauá, entre eles, Walter Verdoliva, que trabalhou durante 22 anos no escritório da empresa e a quem agradecemos o valioso depoimento prestado. De acordo com ele, cerca de 130 trabalhadores estavam envolvidos no beneficiamento do couro. Entre tantos , recordou-se dos seguintes chefes de seção: Santo da Paz, Fernandes (produção), Albino Fatores (maquinaria), Antonio José Tasca(correias), José Gumercindo Felipe (tacos), José Bianchetti (guarnições), Jacintho Spagliari (depósito) e Ângelo Pizzano (vendas). Também foram citados os motoristas dos três caminhões do curtume: Dante Carrota, Benedito Caetano Nascimento e Lupércio Doratiotto.

O curtimento do couro iniciava-se após o descarregamento dos caminhões lotados de peles, in natura, provenientes do sul do País, cidades paulistas e de Utinga. Cerca de 150 peles por dia eram tratadas com ácido sulfúrico e cal, durante 12 horas. Para tanto, foram perfurados, na área, três poços artesianos. A seguir, os descarnadores, com o auxílio de faca de formato  meia lua e um cavalete, retiravam a gordura e a carne existentes nas peles. As sobras eram cobertas com cal e vendidas para fabricas de cola. Trabalharam da descarnadura Carlos Tonellotti, Vicenzo Colombo, José Nunes e Gerônimo Santana.
Limpo e lavado, o couro era mergulhado em tanques, cerca de vinte, com tanino, substância extraída da casca de arvores. Curtido, o produto era enviado para a estufa, ficando pendurado em “varais”, durante uma semana. Seco e com camada de graxa. Composta de óleo de baleia, o couro era comprimido por cilindro de aço, com cerca de 30 toneladas. Aliás, à frente dessa perigosa operação estava Manuel Luis Fernandes.

O curtume fornecia ao mercado correias de couro de diferentes tamanhos e medidas para máquinas, colarinhos de couro para prensas hidráulicas, tacos de couro para teares, solas para indústria calçadista e manchões para penteadeiras, entre outros produtos.

O Curtume Mauá representou, na época, um empreendimento de vulto. Porém, com a morte de dois sócios pioneiros, a produção foi, gradativamente, decaindo. Em sentido inverso, as dividas aumentavam progressivamente. Com isso, é pedida, em 1964, a concordata.

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Sobre Alex Mauá

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