Jardim Japonês: Traços da imigração

Foto do antigo Jardim Japonês, acervo Museu Barão de Mauá

Entre os japoneses, há a crença segundo a qual as belezas naturais são os nossos tesouros. Fruto da cultura milenar, eles acreditam que o jardim de uma casa expressa, entre outros valores, o modo de vida e a harmonia existente entre a natureza e o proprietário.

Acreditando nisso, em meados de 1961, em comemoração ao 30º aniversário da imigração japonesa em Mauá, importantes membros da colônia se reuniram e resolveram demonstrar publicamente essa característica cultural, por meio do plantio de arvores no Centro da cidade. Com a idéia em mente, formaram uma comissão, composta pelos senhores Taira, Otaka, Homma, Takishi, Moriaki, Onodera, Nakandakare, Sasaki, Mizuno e Ikehara  e se dirigiram à Prefeitura de Mauá para discutirem a proposta.
Os acordos com a Administração resultaram na construção de um Jardim Japonês, na Praça 22 de Novembro (na lateral perto do chafariz), no Centro da cidade. Ficou acertado que o Executivo ficaria responsável pelo transporte das pedras, pelo serviço de terraplanagem e pela liberação de alguns funcionários para a obra. A Colônia japonesa, além de arrecadar as quantias necessárias para a construção, apresentaria o projeto em detalhes, tornando-o viável. 

A organização e a perseverança orientais logo foram notadas. Toda a colônia japonesa foi dividida em quatro seções, de acordo com o local de residência, com um coordenador.
Moriaki ficou encarregado da organização dos trabalhos no Centro, Homma incumbiu-se do Sertãozinho, Taira responsabilizou-se pela Pedreira e Hidaka envolveu os japoneses da Quarta Divisão. Os méritos se devem a todos que, de alguma forma, deram a sua contribuição. Essa exposição ficaria incompleta sem a menção do nome de Kenzo Sasaki, sobre quem recaiu boa parte dos trabalhos intelectuais do projeto.
Conforme emocionado depoimento de Paulo Fukasawa, as obras foram iniciadas com determinação, entusiasmo e muita dedicação. Nos trabalhos envolveram-se não apenas japoneses, mas também seus descendentes e muitos moradores locais.

A construção do jardim exigiu escavações para o tanque, instalação elétrica, disposição das pedras e, principalmente, serviços de jardinagem. Na época, vários caminhões carregados de pedras e árvores como ipês, cerejeiras e pinheiros, entre outras, cruzaram diariamente o Centro da cidade.
O jardim ocupou uma área de cerca de 500 m², proporcionando ao morador uma agradável paisagem oriental, composta de peixes, árvores e pedras naturais. A cerimônia de inauguração, ocorrida no dia 9 de dezembro de 1961, movimentou a opinião pública e contou com a presença do então prefeito de Mauá, Élio Bernardi, e de demais autoridades locais. 

William Puntschart
Memórias da Cidade
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Sobre Alex Mauá

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