Meu Poema da Praça

Foto da década de 60, Acervo André Paixão


Por Aristides Theodoro

Meu poema da praça
É feito apenas de lembranças
De pântano, riachinho.
Chácara, pássaros.
Mais tarde “pedreiros em construção”,
Cavalos soltos pelas ruas,
Luzes, jardins japoneses,
Sons, fontes luminosa,
Concha acústica, namorados,
Poetas fazendo e dizendo versos,
Rádio-patrulha, policiais mal humorados,
Camelôs, putas, bêbados,
Desocupados e “otas cositas mas”.

Mauá hoje não é a mesma.
A praça também não
Está bem diferente: cheirando a óleo diesel
Suor seco nas camisas azuis dos motoristas
Embora existam árvores novas
Vicejando nos jardins.
Novos prédios, lojas. Shopping suntuoso
Mesmo assim a praça para mim
Não é a mesma. O tempo passou
E levou a minha primeira praça 22 de Novembro.
É isso aí, os velhos vivem de saudades.
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Sobre Alex Mauá

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