Os irmãos Gerber

Por William Puntschart

Wolfgang Gerber
Muitos moradores de Mauá conhecem bem o papel desempenhado em diferentes áreas do convívio social, pelos irmãos Wolfgang (1927-1998) e Hans Ferdinand Gerber (1922-2002). De fato, os dois alemães, denominação com a qual ficaram conhecidos esses simpáticos senhores, foram responsáveis, desde o inicio da década de 50, por inovadores empreendimentos culturais, sociais e religiosos na cidade.

No âmbito cultural, são responsáveis, por exemplo, pelo registro, em 1953, daquelas que são as antigas imagens de Mauá, Por sinal, a ideia de filmar surgiu, de acordo com o depoimento de Hans, com a efervescência política da época, pois estava iminente o plebiscito sobre a emancipação político administrativa da cidade. Com tais perspectivas, e de posse de uma pequena filmadora de 8 milímetros, registraram, entre outras cenas, a faixa colocada próxima à estação de trem com a inscrição “Mauá precisa ser município dia 22, vote sim”.

Profissionalmente, atuaram no ramo fotográfico, com estúdio próprio, o primeiro de Mauá. De 1960 a 1971, denominado “Foto Artístico”, na avenida Barão de Mauá. No desempenho de suas funções, mantiveram laços de amizade com boa parte da população, ao filmarem e fotografarem casamentos e batizados locais.
Nessa época , impulsionados pelo espírito do bem da coletividade e com intuito de promover a cidadania, ofereceram-se para fornecer, gratuitamente, fotos aos munícipes que não tivessem recursos. Dessa forma, muitos puderam obter documentos.

Além dessa iniciativa, devemos destacar a criação, em 1958, do Corpo de Bombeiros Voluntários Dom Bosco, após o incêndio na borracharia do Cardoso, próximo a Praça da Paineira. Cerca de 94 heróis anônimos atuaram, decisivamente, entre outros episódios, no combate ao incêndio que ocorrera na Porcelana Mauá e no atendimento às vitimas das enchentes que danificaram várias casas no Jardim Zaíra. Naquele ainda fundariam a fanfarra mirim Dom Bosco, a primeira no município.

Já com a perspectiva de divulgar a fé e de posse de forte vocação religiosa, Hans e Wolfgang percorreram várias escolas locais, pregando palavras de amor e ensinamentos cristãos. Esse lado místico-religioso se deve, em grande parte, à mensagem espiritual que a família teria recebido, ainda no fim de 1940, referente ao paradeiro de Wolfgang, então prisioneiro da resistência francesa, após a expulsão das tropas alemães de Paris. Quando desacreditados, foram informados pela Cruz Vermelha que o prisioneiro de guerra seria libertado e enviado para o Brasil, onde viviam seus pais e o irmão primogênito, Como prova de fé, a família construiu a capela Cristo Rei, no Jardim Mauá, cuja pedra fundamental foi lançada em 1951, em cerimônia que contou com a presença de Dom Jorge Marcos de Oliveira e Ulysses Guimarães, entre outras personalidades.
Hans Ferdinand Gerber
Nos últimos anos de vida, com a persistência e dedicação peculiares, Hans dedicou-se a três importantes projetos. O primeiro, a redação de um livro sobre a história da capela Cristo Rei. O segundo, a redação de uma autobiografia. O terceiro, a organização de todos os seus documentos, para serem expostos no Museu da Imigração, em São Paulo.  
 
Vídeo gravado pelos Irmãos Gerber em 1953
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