Concha Acústica: época de música, comício e diversão

Evento cívico na Concha Acústica (Acervo Museu Barão de Mauá) 

Por William Puntschart

A população de Mauá contava com um espaço cultural impar no centro do município: a Concha Acústica. Situada na atual Praça 22 de novembro, era a área popular mais adequada para a realização de diferentes shows de música popular brasileira, matinês de Carnaval, Festas Juninas e até comícios políticos. Muitos até se recordam das presenças de Ulisses Guimarães, Jânio Quadros e Adhemar de Barros, entre outros políticos de expressão da época, que discursavam no local.

Na praça, onde se situava a Concha Acústica, espaçosa e arborizada, cujo formato era definido por imponentes árvores, os presentes assistiam emocionados aos concertos musicais. Além da apresentação de bandas, tais como a dos Marianos (regida por Mário Fuzzo), Banda Lyra de Mauá, Coral da Imaculada Conceição e a Banda Marcial local.

Os munícipes e familiares participavam ativamente dos festivais da chamada musica de raiz, tradicionais na cidade. Entre esses merece destaque o Festival de Violeiros de Mauá (Fevima).
Organizado anualmente pela administração publica municipal, como de praxe na Concha Acústica, o Fevima em 1979 quase não foi realizado, por falta de verba. Só o foi, contudo, graças ao empenho de Renzo Fávero, na época vereador municipal, que percebeu a importância da parceria com a iniciativa privada para preservação da cultura no município. Com essa perspectiva, recorreu às imobiliárias locais, por meio das quais obteve cifras suficientes para tal evento.

Naquele ano, conforme depoimento do ex-vereador, graças ao dinheiro arrecadado e à colaboração da população, tudo transcorreu como se esperava. Além da presença de destacados cantores, entre os jurados, tais como Limeira, da dupla Luisinho e Limeira e Canhotinho, famoso na rádio Record na época, ainda foram oferecidos aos primeiros colocados variados prêmios. A dupla vencedora (Allan e Aladin) foi convidada a gravar aquele que de fato se tornaria seu primeiro disco de sucesso. 
Por fim, consideramos importante citar a localização dos objetos remanescentes, não só da Concha Acústica, mas também da Fonte Luminosa e do Jardim Japonês, cujo conjunto arquitetônico formava o trinômio artístico-cultural existente na Praça 22 de novembro.

Assim, relativo à Concha Acústica, contamos com o quadro de azulejo, atualmente sob a guarda do Museu Barão de Mauá, oferecido ao município pela Porcelana Real, em abril de 1960, por ocasião da inauguração daquele espaço. Note-se, o desenho do Brasão de Armas do Município, representado no quadro, símbolo de soberania e identidade municipais. Com relação à Fonte Luminosa, apesar do desaparecimento do maquinário, tínhamos o croqui (original do desenho), assinado por Burle Marx, conservado pela Secretária de Planejamento da Prefeitura do município. Por outro lado, acerca do Jardim Japonês restaram-nos as pedras e a lápide de sua inauguração, levadas ao Parque Santa Luzia , no inicio da década de 80, pela colônia nipônica, devido a sua iminente destruição.

Como se vê, a reconstrução desses espaços representaria um passo possível e concreto em direção à reconstrução da memória local. Afinal. Parafraseando o cantor, a força da grana não destruiu completamente as coisas belas.
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Sobre Alex Mauá

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