CRÔNICAS DA MAUÁ DE ONTEM E SUA GENTE II

Acervo Museu Barão de Mauá

Autor: Eng. Agr. Orlando Lisboa de Almeida
contato: orlando_lisboa@terra.com.br

O ano deveria ser por volta de 1970, pouco mais, pouco menos. O grupinho de amigos tinha em comum o fato de estudarem à noite no Viscondão, então cursando o Colegial, hoje chamado de segundo grau.   Nosso amigo Roberto, irmão do Claudio e da Renata, era um dos fieis frequentadores da turminha que trabalhava de dia e estudava à noite.    Nas sextas feiras, quase sempre na volta das aulas – e ninguém da turminha tinha carro na época – uma passadinha mais ou menos breve pelo Bar ABC bem perto das porteiras da estação. Bater papo com os amigos, já que no outro dia era sábado e dava para levantar mais tarde.  Umas cervejinhas para animar a prosa, que ninguém era de ferro e se fosse, teria enferrujado porque garoa em Mauá e região sempre houve e sempre haverá.   


O Bar ABC era na época o nosso ponto de encontro nos finais de semana.    Era ir e sempre encontrava parte da turminha por lá.    Depois era ficar por ali mesmo ou ir ao cinema, tomar o trem e dar uma volta de vez em quando por Santo André ou São Paulo, o que não era nada freqüente para o lazer da turminha.   
Um joguinho de sinuca num dos bares da região, um bailinho na casa de alguém ou mesmo no Independente, cuja sede ficava no centro, na Rua Japão, em frente à Porcelana Mauá.

Um dia o pessoal fica sabendo que tinham inaugurado recente um barzinho diferente numa pequena chácara lá pelos lados da Vila Bocaina, na Rua Dr.Fernando Costa, que fica na baixada e segue o rumo de um córrego que desce da Vila Bocaina rumo ao então Tanque da Paulista, que ficava (e não fica mais pois foi aterrado) na Avenida Barão de Mauá.

Quem descia a Rua Brás Cubas rumo à Dr.Fernando Costa, literalmente descia, pois a rampa é forte, na época tudo rua sem calçamento, encontrava uma pequena ponte do córrego e em seguida virava à esquerda no rumo do Tanque da Paulista e da Avenida Barão de Mauá.    Na Fernando Costa, lado direito, muito verde, chácaras, poucas casas morro acima e do lado esquerdo, hortas grandes dos japoneses, sempre irrigadas com aquelas mangueiras grossas, com esguicho segurado à mão pelo empregado.   
No fundo das hortas, o córrego que fornecia água para a irrigação. Assim era aquele pedacinho de Mauá dos anos 70.

Voltando ao novo barzinho, o mesmo ficava numa pequena chácara em frente às hortas, do lado direito de quem seguia pela Dr.Fernando Costa no rumo do Tanque da Paulista.     Jardim na frente, muitos pés de cipreste antigo com aquela ponta apontando para o céu, muito verde e uma casa branca, telhados estilo germânico. Chegamos à noite e tinha um bocado de gente no barzinho, distribuído por vários cômodos.   Entramos, sentamos, tomamos nossa cervejinha, paqueramos e já estávamos quase de saída quando percebemos que o Roberto estava pra lá de taciturno.    Ficou em pé, parado, mãos nos bolsos, olhando de leve para todo lado, devagar e aparência de pensativo.   Alguém logo perguntou que raio estava acontecendo com nosso alemão.  Ele disse:    Cara, é o seguinte.    Eu morei muitos anos nesta casa e aqui onde esse bando de estranhos está bebendo e fumando... aqui era o meu quarto.
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Sobre Alex Mauá

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