TUTA Uma personalidade de alma pura que viveu pelas ruas de Mauá



Por Orlando Lisboa Almeida

Eu sempre tive um carinho especial em relação àquelas pessoas simples que vivem pelas ruas das grandes ou mesmo das pequenas cidades. Podem haver muitas razões para eles viverem nas ruas e no caso do nosso heroi Tuta, me parece que ele ficava na rua mas não morava na rua. Ele tinha uns neurônios a menos, mas era uma pessoa de bem que não fazia o mal a ninguém - pelo contrário - vivia cuidando dos carros na Avenida Barão de Mauá, esquina com a Praça XXII de Novembro. Isto lá pelos anos 70. Claro, estatura media, magro, cabelo curto, era visto diariamente por aquele trechinho do centro de Mauá. 

Ganhava uns trocos para cuidar dos carros estacionados e reforçava o ganho com um baldinho de água e um pano meio encardido. Costumava dar um trato jogando um pouco de água no carro (uma benzida), uma esfregada com o pano e ao menos a poeira saia e o carro ficava quase novo em folha. Ou nem tanto, mas melhorava. E ficava a cargo do freguês dar uma gorjeta ou não. Geralmente saia a gorja.

Pois consta que um dia três amigos bancários ali no pedaço (um do Noroeste, outro do Bamerindus e um do São Caetano), resolveram fazer uma pequena sacanagem com o Tuta que seria palmeirense roxo. O sonho dele era jogar no Palmeiras. Pois os amigos forjaram um "documento" que constava ser um "Atestado de Óbito" e no texto dizia que o Tuta estava apto para jogar em qualquer time profissional e no Palmeiras em particular e que ele estava CONTRATADO. E Fizeram um cheque Mandrake com um valor tipo doze milhões "visado" em nome do Tuta. Este ficou em estado de graça e exibia seu "Atestado de Óbito - Contrato com o Verdão" e o seu cheque. Dizia que dali a poucos dias seria sua estréia triunfal. 

Esse episódio passou, o tempo passou e o Tuta continuou mesmo dando um duro por ali. Consta que numa noite de inverno ele teria dormido na rua (nunca constou que ele bebia bebida alcoólica) e teria sido encontrado de manhã morto, sentado, encolhido, recostado na porta de uma loja ali do centro onde ele costumava ficar cuidando de carros. Para mim e para muitos, o Tuta não morreu e não morrerá nunca - na nossa memória. Muito axé, amigo Tuta! Esteja bem, onde estiver!
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Sobre Alex Mauá

Esse texto foi trazido até você pela Equipe Mauá Memória a cidade Ontem e Hoje, ajude nosso trabalho divulgando nosso site ou enviando fotos antigas, notícias da cidade e coisas que acontecem no seu bairro entre em contato: mauamemoria@gmail.com