Mauaenses num carnaval dos anos 60

Foto meramente ilustrativa


Crônica do Orlando Lisboa de Almeida

Éramos quase de maior e já tínhamos pulado alguns carnavais no Independente.   Quando o salário deu para custear, sócio do Pelego (apelido carinhoso do Independente)  com carteirinha e tudo.   Sócio proprietário com aquele certificado com as três espadas grená cruzadas., Morar na Vila Bocaina, trabalhar de dia e estudar à noite.   Nada fora da rotina da maioria do povo da nossa cidade. 

O carnaval estava chegando e o amigo Toninho que era meu colega de trabalho e bem mais expansivo e articulado resolve convidar os amigos para passar o carnaval, ao menos uma noite, num lugar diferente. Não sei por que cargas d`água ele conseguiu achar um lugar tão etecetera e tal, pois o baile era em Ouro Fino, não de Minas Gerais, mas um povoado no interior de Ribeirão Pires se a minha geografia não estiver falhando.     Estava decidido:   Vamos pular uma noite de carnaval em Ouro Fino e pronto!

Tomamos um busão da Viripisa lá na Capitão João, perto da Pigmentos e vamos pra Ribeirão.   Lá chegando, descemos e tínhamos que esperar outro ônibus que nos levaria ao bailão.     No tempo de espera, em frente a um boteco, meu amigo Toninho,  afoito como ele só, resolve que é uma ótima ideia tomar um conhaque lá no bar, como se aquilo fosse a maior das rotinas na vida de um quase de maior.   Como ele era decidido, decidimos por “maioria” que iríamos virar um conhaque cada um com o argumento dele que assim a gente já chegaria mais animado no Carnaval.

Entramos no bar e o Toninho, senhor de si como ninguém, faz uma pose e pede um conhaque para cada um. O garçom coloca os conhaques e o primeiro a tentar triscar o conhaque foi o Toninho.  Tentar.   É que ele colocou o cotovelo no balcão para fazer uma pose e como um raio, soltou a costa da mão no conhaque que foi parar com copo e tudo lá no meio da rua.      Nós ficamos de boca aberta sem entender nada.   E ainda por cima, o garçom veio e pediu desculpas ao Toninho.   Pediu desculpas e explicou:   Moço, eu esqueci de avisar você que este balcão de inox está dando choque.      Com ou sem conhaque, a turminha chegou bem ligada no Baile que foi até bem animado.      Como se dizia na época:    Um verdadeiro “programa de índio”.

Nos outros dias, baile no Independente, com direito a encontrar a galera toda por lá, curtir as marchinhas ao som das orquestras com muito instrumento de sopro e salão lotado.  

Dá saudade.
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Sobre Alex Mauá

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