Centro Industrial do Pilar

Acervo Museu Barão de Mauá
Durante  nossas consultas aos papéis existentes no Museu de Santo André sobre a história de Mauá, deparamo-nos com importantíssimo documento intitulado: “Município de São Bernardo, Centro Industrial do Pilar”. Assinado por Bernardo Morelli, este impresso tornava pública a intenção de implantar em Mauá, Pilar na época, um centro industrial.
Como se sabe, Bernardo Morelli,  industrial e proprietário de serraria, produzia em sua empresa ceramista, em funcionamento entre 1904 e 1916,  além de tijolos “furados”, telhas tipo canoinhas. Era morador no centro do município, daí a denominação Tanque dos Morelli, retratada ao lado, depois nomeada Praça Senador Flaquer e atual Praça 22 de Novembro .

Apesar de não indicar a data em que foi redigido, podemos afirmar que, de acordo com as benfeitorias oferecidas, esse documento foi escrito nos finais da década de 1920 até no máximo 1934, quando o seu autor veio a falecer. 

Esse arrojado empreendimento seria desenvolvido numa área de aproximadamente 300 m2 , onde hoje encontra-se o centro do município, e estaria circunscrito aos seguintes limites: à oeste, a estação de trem; ao norte, acompanhando o Rio Tamanduateí, desde a fábrica de tintas Globo até a altura da praça da Bíblia; à leste, a então chácara dos herdeiros de Luis Merloni, próxima à paineira, e, ao sul, as terras da empresa de Pacheco, Schimidt e Victorino Dell’Antonia, muito próximo de onde hoje funciona o Hospital Nardini.

Toda essa área fôra dividida em duas partes distintas, separadas por uma estrada, mais tarde denominada Avenida Barão de Mauá. Na primeira, próxima à estação, em direção ao atual Viaduto da Saudade, seriam construídas moradias para os proprietários e gerentes das empresas. Todas as residências contariam com luz elétrica, água potável, serviço de esgoto e outros melhoramentos.

Na segunda, em terras ricas em argila, iriam se instalar as indústrias. Este seria, de fato, o núcleo de industrialização no município, o qual, para ser viabilizado, necessitaria apenas, segundo o projeto apresentado, de pequenos serviços de terraplanagem.

As indústrias poderiam dispor , dentre outros benefícios, de um canal coletor de águas interligado ao Rio Tamanduateí, além de importante serviço de transporte entrelaçado à malha ferroviária.

Tudo sugere que este foi um importante projeto que não saiu do papel, mas que, por outro lado, já apontava para a vocação industrial de Mauá. Todavia, é preciso salientar que os ensinamentos do passado podem, entre outras funções, subsidiar as autoridades em suas decisões, no presente, sobre o futuro da cidade. Em outras palavras, como adverte Marc Bloch, historiador da Escola dos Annales, “a ignorância do passado não se limita a prejudicar a compreensão do presente; compromete, no presente, a própria ação”. 

William Puntschart
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Sobre Alex Mauá

Esse texto foi trazido até você pela Equipe Mauá Memória a cidade Ontem e Hoje, ajude nosso trabalho divulgando nosso site ou enviando fotos antigas, notícias da cidade e coisas que acontecem no seu bairro entre em contato: mauamemoria@gmail.com