Educandário Imaculado Coração de Maria


Por William Puntschart

O edifício municipal, situado à rua Ribeirão Preto, no bairro Jardim Pedroso, serviu, ao longo de sua existência, para diferentes fins, ligados principalmente ao desenvolvimento de atividades educacionais e sociais. Construído a partir do inicio da década de 1960, inicialmente, pertenceu às irmãs da Congregação Vicenta Maria, ordem religiosa de orientação católica, cuja fundadora, Irmã Vicenta Maria, atuou significativamente na Europa durante o fim do século XIX, a tal ponto, que foi canonizada, no inicio do século passado, santa na Espanha. Note-se que até hoje membros dessa congregação realizam trabalhos sociais junto à população carente, frente ao instituto Maria Imaculada em São Paulo.

Na verdade, a ideia da construção de um educandário, isto é, instituição que tem por finalidade desenvolver trabalhos educacionais e assistenciais, surgiu entre os membros da comunidade cristã, atuantes no município, após receberem um terreno da família Pedroso. Aliás, por este motivo, durante algum tempo, o educandário intitulou-se Imaculado Coração de Maria: D. Maria Queiroz Pedroso. A partir de então, liderados pelo Monsenhor Alexandre Venâncio Arminas, responsável, mais tarde, pela inauguração da pedra fundamental em 1962, os fiéis participaram ativamente do processo de construção do prédio. Para tanto, organizaram-se e fundaram a Associação das Damas da Caridade, na qual destacava-se Regina Polisel. Além desta organização, sobressaia-se também as Irmãs da Imaculada, lideradas pela irmã Ressurreição e submetidas a hierarquia eclesiástica. Ambas organizações desenvolviam atividades com o intuito de arrecadar fundos para a conclusão das obras, fosse percorrendo as casas de comércio e indústrias solicitando doações, fosse organizando festas e encontros para angariar capitais, cujo destino principal era a compra de materiais de construção.

Concluídas as obras, o educandário começa a funcionar, de fato, em 1966, dirigido pelas Irmãs da Imaculada. Ali passaram a residir freiras e noviças, integrantes da Congregação Vicenta Maria, responsáveis por pelo menos três importantes projetos sociais. O primeiro, assistindo às crianças desamparadas, principalmente filhas de pais desempregados, proporcionando-lhes estudos regulares e ensinamentos cristãos. Inclusive mantinham no local um grupo primário, no qual estudavam, anualmente, cerca de duzentos alunos. O segundo, cuidando de jovens migrantes, as quais, mais tarde, seriam integradas ao mercado de trabalho, desempenhando funções como empregada doméstica, babá entre outras. O terceiro, formando quadros para atuarem frente à realidade social. Com esta perspectiva, os jovens da época, integrantes da Pastoral da Juventude, dentre estes podemos citar, por exemplo, o atual prefeito da cidade, Prof. Oswaldo Dias,  praticavam o evangelho em diferentes locais carentes na cidade.

Mais tarde, já na década de 1980, as Irmãs da Imaculada, contrariando as expectativas da comunidade católica local e mesmo as disposições legais que lhes asseguravam a continuidade do trabalho à frente do educandário, decidem devolver o prédio à municipalidade. Nesta transação, segundo o Cônego Belizário, a administração pagou às religiosas, na época, a título de indenização pelas obras e benfeitorias realizadas no terreno, cerca de trezentos milhões de cruzeiros. Com esta quantia, as freiras compraram um grande imóvel em Fortaleza, onde parte do grupo continua com os trabalhos pastorais.

De posse definitiva da administração municipal, as dependências do antigo educandário, foram utilizadas para o desenvolvimento de atividades pedagógicas direcionadas à Educação Especial. Posteriormente, ali serviu de abrigo e amparo às vitimas das constantes enchentes, que não tinham para onde ir. Em seguida, foi utilizada pelos integrantes da Guarda Municipal e, concomitantemente, como depósito de materiais e objetos obsoletos. No ano 1998, o prédio, que se encontrava seriamente danificado, foi totalmente reformado e serviu de sede para o V Congresso de História do Grande ABC – Mauá 98; atividade cultural que envolveu as sete cidades do ABC paulista. 

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