Cruzeiro Sagrado Coração de Jesus


Cruzeiro Sagrado Coração de Jesus:
desde 1959, local de orações no Itapark

William Puntschart

Inaugurado em 3 de maio de 1959, na atual Vila Independência, o Cruzeiro Sagrado Coração de Jesus, diferentemente de outros bens culturais existentes na cidade, tem sua história registrada. Isso devido à iniciativa de Geraldo Rosa da Silva, autor do livro que  conta a história da construção do cruzeiro e registra a arrecadação de fundos  para sua edificação, atualmente sob a guarda do Museu Barão de Mauá.

De acordo com esse manuscrito, os moradores locais iniciaram os trabalhos, em 1957, objetivando a construção do cruzeiro,  pois era  iminente a  derrubada de outro,  para o qual se dirigiam os fiéis no dia de Finados, então localizado  na atual  rua Caetano Aletto, no Jardim Itapark, devido à ampliação daquela  via. 

Com isso em mente, consultaram as principais autoridades da época. Autorizaram a empreitada, entre outros, o então prefeito, Ennio Brancalion; Jorge Bereta, dono de toda a área do atual  Itapark e, ainda, José Benedito Schikanowski, corretor e responsável pelo loteamento do bairro.

  Aprovado o projeto, logo iniciaram-se os trabalhos. Primeiro, foi organizada a  lista de doações, por meio da qual  arrecadou-se fundos e materiais para a obra. Nessa grande relação, destacamos os primeiros colaboradores, com as respectivas participações: Cícero Campos Póvoa:  cimento, cal e areia; a olaria de Élio Del Piere : 400 tijolos e  Manoel Pinto Boscariol: transporte gratuito de materiais. 
Em seguida, além dos trabalhos de fundação e concretagem da base, principiaram-se  as atividades de cantaria na enorme pedra doada por Miroslav Kalis, arrendatário da pedreira do Pinotti e engenheiro em Utinga. Entre tantos cortadores de pedra voluntários, devemos citar Geraldo Rosa da Silva, José Maria de Gusmão,  Otacílio Francisco da Silva e  Miltom Tavares da Silva. Este, por sinal, além de  participar ativamente desde o início do processo, era canteiro e dono de olaria no bairro, na antiga Avenida Marginal, hoje rua Hermínio Pegoraro.

Concluído o marco religioso, as solenidades de inauguração contaram com a presença de figuras de proa  da sociedade da época. Entre outros, participaram do evento o prefeito Élio Bernardi e o vice Guilherme Primo Vidotto; os vereadores, o presidente da Associação Comercial José  Moura Lacava, o delegado de polícia Adélio Xavier dos Reis e o  padre Afonso José Birk, além membros da Juventude Operária Católica.

Naquele dia ainda ocorreram, segundo as anotações de Geraldo Rosa da Silva,  apresentações de grupos culturais como a do Moçambique, do  Jardim Zaira, liderado por João Leite de Morais. Vestidos com indumentária afro, com guisos nos pés e braços, os cerca de 20 componentes cantavam e dançavam em louvor a São Benedito e Nossa Senhora do Rosário, cujas imagens estavam estampadas em altos estandartes.
Share on Google Plus

Sobre Alex Mauá

Esse texto foi trazido até você pela Equipe Mauá Memória a cidade Ontem e Hoje, ajude nosso trabalho divulgando nosso site ou enviando fotos antigas, notícias da cidade e coisas que acontecem no seu bairro entre em contato: mauamemoria@gmail.com