Aqui nasceu a Vila Assis Brasil


Por William Puntschart

Quem transita com atenção pela avenida Dom José Gaspar nota as características rurais da propriedade situada no número 934. Construída durante as primeiras décadas do século passado, foi, desde então, sede do loteamento do bairro, morada de Clodoaldo Portugal Caribé e é, hoje, residência de Maria Dorotti Lorenzo, ou dona Mariazinha, como é conhecida.

Nascida em agosto de 1925, na capital paulista, Mariazinha vivenciou o processo de urbanização de parte da cidade de Mauá, principalmente a partir de 1942, quando começou a trabalhar na Sociedade Auxiliadora Predial Ltda., empresa com sede em São Paulo, responsável pelo loteamento, entre 1927 e 1986, da futura Vila Assis Brasil. Assim, aos domingos, juntamente com outros funcionários, seguia para Mauá, a fim de acompanhar a venda dos terrenos. Da estação, ia de charrete até a sede do loteamento, onde formalizava os contratos e datilografava os recibos. Aliás, no caminho, muitos a consideravam professora, em virtude da grande quantidade de pastas que carregava.

Em seu depoimento, recorda-se de vários episódios. Contudo, salienta os quatro seguintes. O primeiro, a esperança no olhar dos interessados na compra dos terrenos. Recepcionados na estação de trem por Américo Piagentini, representante do empreendimento, deslocavam-se a pé ou de charrete, para conhecer os lotes. O segundo, a vila de casas construídas atrás da sede do loteamento, destinadas aos trabalhadores braçais da empresa, responsáveis pela abertura de ruas, picadas e caminhos, além da plantação de árvores. Entre outros, ali residiram os Trota e Vitor Lemman. O terceiro, a qualidade da água retirada da biquinha, localizada na atual rua Marcelo Marcolino: potável, segundo análise realizada pelo Instituto Adolpho Lutz. O quarto, o contato que manteve com figuras ilustres daquela época, tais como Dom José Gaspar, Emeric Marcier, padre Eduardo Roberto Batista e o pintor Lasar Segall, entre outros.

Entre seus documentos, apresenta como relíquia certidão de 21 de junho de 1927, referente à venda de 50 alqueires para a Sociedade Auxiliadora Predial Ltda., efetuada por Maria Queiroz Pedroso. Além dos adquirentes,

Clodoaldo Portugal Garibé e sócios, é citado o valor pago:
250 contos de réis. Toda essa área, cerca de 1,2 milhão de metros quadrados, localizada no então distrito de Santo André, município de São Bernardo, hoje é ocupada pela Vila Assis Brasil e pelo Jardim Anchieta. Por fim, destaca inúmeros carnes de compra e venda de terrenos e fotografias da época da ocupação da área, após ter sido nomeada liquidante da empresa. Também exibe o telegrama do então general gaúcho Assis Brasil, de 25 de abril de 1927, aos responsáveis pelo loteamento, sensibilizado com a indicação de seu nome e desejando sucesso no empreendimento.

Artigo Publicado originalmente na Voz de Mauá em 29/05/2003
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Sobre Alex Shinobi

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