Bairro Feital das olarias e fábricas de porcelana

Kojima e Irmãos Cia Ltda.: indústria de porcelana de tradicional família japonesa
ajudou a impulsionar o crescimento do Bairro Feital. 


Por William Puntschart

Localizado a aproximadamente três quilômetros da Estação de Mauá, o Feital começou a ser loteado no fim da década de 50, durante o mandato do primeiro prefeito eleito em Mauá, Ennio Brancalion (1955 - 1959).

Historicamente, toda a região fazia parte da grande propriedade denominada Sítio Feital, com cerca de 64 alqueires ou 1.548.800 m2, pertencente a Pedro Branco da Silva e Antonia Franco da Veiga, cuja filha, Benedita Franco da Veiga (1890 - 1962), iniciou a venda de terrenos.

Com as transações, parte dessa fazenda foi adquirida pelo Círculo Operário do Ipiranga, instituição ligada à Igreja Católica e liderada pelo Padre Pedro Balint, responsável também pelos seguintes empreendimentos: Hospital Leão XIII, na capital; Clube Rosa Mística, em São Bernardo; e, também, a fazenda Suarão, em Itanhaém.

De acordo com Oswaldo Teixeira, morador no bairro desde 1957, na época do loteamento as ruas eram de terra, havia muito eucalipto, não era fornecida luz, os ônibus só circulavam até o Jardim Maringá e água só existia em poços artesianos ou nas nascentes. Além disso, devido à falta de comunicação, as cartas, telegramas e avisos de morte eram entregues pelo jipe da polícia.

A principal atividade econômica, no entanto, era a produção de tijolos, na qual os primeiros moradores empregaram-se. Entre as mais antigas, é citada a olaria de Wadhy Auada, cujos tijolos foram utilizados na construção do Cemitério de Camilópolis, em Santo André. Também são mencionadas a Oliveira, de José Francisco de Oliveira Filho; a Bom Filho e a Soares, de Antonio Soares.

De acordo com Paulino Corrêa, pipeiro sucessivamente nessas três olarias, toda essa produção foi enviada para a edificação de Brasília, a capital federal.

Para se ter uma idéia da dimensão desse negócio, só a olaria de Antonio Soares, com dois fornos com capacidade para a queima de milhares de tijolos, ocupava toda a área onde estão atualmente a Unidade de Saúde e a Escola D. Jorge Marcos de Oliveira. Porém, devido ao cotidiano de trabalho, ex-oleiros e oleiras sofrem atualmente de reumatismo e bronquite, além de enfrentarem dificuldades em comprovar o tempo de serviço prestado, pois não eram registrados.

Também, desenvolveram-se no bairro outros ramos de indústrias, tais como a fabricação de porcelanas. Entre essas, devemos citar a Mizuno, em atividade desde 1958 e a Kojima c Irmãos Cia Ltda, cuja produção iniciou-se em 1959. Por sinal, os dois responsáveis por esses empreendimentos, integrantes da colônia japonesa em Mauá, ainda hoje produzem e comercializam seus artigos.

Além do crescimento industrial, o Feital e bairros adjacentes destacam-se pelas suas contribuições poéticas. Nessa perspectiva, sobressaiu-se inicialmente, ao longo das décadas de 60, 70 e 80 o Colégio Brasileiro de Poetas responsável pela publicação de livros e encontros de poesia. Atualmente, a arte de escrever em versos ainda resiste por meio da composição poética de Moisés da Silva Pereira, entre outros, que utiliza as paredes da própria casa para reafirmar sua consciência negra.
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Sobre Alex Shinobi

Esse texto foi trazido até você pela Equipe Mauá Memória a cidade Ontem e Hoje, ajude nosso trabalho divulgando nosso site ou enviando fotos antigas, notícias da cidade e coisas que acontecem no seu bairro entre em contato: mauamemoria@gmail.com