Bairro São João: berço das pedreiras e palco dos canteiros




Por William Puntschart

De acordo com o depoimento de Antonio Deldono, ex-canteiro em Mauá, o São João e as áreas adjacentes nasceram com o crescimento da exploração de pedras, ainda no início do século XX, ao longo do antigo Caminho do Pilar, depois denominado Estrada das Pedreiras ou Estrada da Gruta e, hoje, avenida Barão de Mauá.

Na época eram muitas pedreiras em atividade na região, rica em granito, utilizado principalmente na confecção de guias e paralelepípedos.

Entre tantas, destacava-se a de Raphael Pellegrini, em funcionamento desde 1910, na área ondè hoje estão o núcleo habitacional do Kennedy e partes da Escola Municipal Cora Coralina.

Também merece referência, nesse contexto, a Empresa de Estradas e Pavimentação Ltda., em funcionamento na grande área onde hoje está o conjunto habitacional Pajuçara, em frente à atual Unidade de Saúde São João, ao longo da rua do Britador.

Note-se que o investidor, Lourival de Almeida, administrava concomitantemente a “pedreirinha”, situada no atual Jardim Sílvia. Na década seguinte, inicia a extração de pedras, no então Sítio Canadá, Antonio Matroni.

Aliás, partes remanescentes desse empreendimento ainda estão no interior da Escola Estadual do Jardim Canadá.

Já, a partir da década de 30, sobressaiu-se, na então Chácara dos Padres, hoje Estrada do Carneiro, a Pedreira dos Irmãos Milanezi, tanto pela quantidade de trabalhadores - cerca de 50 - quanto pelo volume de artigos comercializados, entre os quais destacavam-se as cantarias destinadas à Catedral da Sé.

Contudo, acerca dessa importante atividade econômica, pouca documentação restou para análise. Podemos citar, por exemplo, o Livro de Registro dos empregados da firma de João Deldono, inscrita na Delegacia Regional do Trabalho em São Paulo, em 26 de dezembro de 1951, cujo registro do primeiro canteiro retratamos.

A empresa, aberta com capital de 50 mil cruzeiros, no atual Parque Ecológico Santa Luzia, contava com os seguintes canteiros, cujos vencimentos eram pagos por empreitada: Rafael Del Dono, Antonio Raimundo dos Santos, João Cegatti, Francisco Del Dono, José das Neves, Adelino Rodrigues, Reinaldo Del Dono, José Rubens Gonçalves, José Rogério Gonçalves, Lívio Lagol, Geraldo Lagol e Armando Lagol.
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Sobre Alex Mauá

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