Mauá, 1930: um núcleo urbano em desenvolvimento




Por William Puntschart

Assim era Mauá no fim da década de 30: o núcleo urbano em desenvolvimento, destacando-se na área central o traçado da atual avenida Barão de Mauá, porém com a presença marcante de poderosas indústrias. A seguir, de acordo com o Álbum de São Bernardo, de João Netto Caldeira, publicado em 1937, identificamos alguns marcos históricos nessa vista aérea cedida gentilmente por José Carlos Luciano Tamagnini, filho de Tercílio Tamagnini, subprefeito de Mauá, nomeado pelo então prefeito de Santo André, antes da emancipação da cidade.

A – Casarão bandeirista de arquitetura colonial paulista, com cerva de 250 anos, antiga sede da Fazenda Bocaina, hoje Museu Barão de Mauá. Patrimônio histórico-cultural, na época, pertencia a Adolpho Augusto Ferreira, após ter sido adquirido da então Companhia Pacheco, Schmidt e Victorino, empresa responsável pelo loteamento da fazenda.

B – Tanque da Paulista. Reservatório de água construído pela indústria de cerâmica homônima, objetivando incrementar o processo de produção. Ali muitos moradores aproveitavam os fins de semana, fosse para um agradável passeio de barco, fosse para se exercitarem, nadando de uma extremidade a outra do lago.

C – Fábrica de Louças de Pó de Pedra Paulista a qual, desde 1923, pertencia à empresa de Manetti, Pedotti e Cia. Ficou conhecida popularmente como Fábrica de Paulista. Nos seus oito alqueires e meio chegou a construir quatro pavilhões, cobrindo cerca de dois mil e novecentos metros quadrados, nos quais trabalhavam aproximadamente oitenta operários, responsáveis pela produção de artigos largamente aceitos no mercado. Na época, o senhor Guido Monteggia já se destacava na gerência da fábrica.

D – Fábrica Grande, na época denominada Comércio e Indústria João Jorge Figueiredo. Devido à qualidade de seus produtos, destacou-se entre as mais tradicionais organizações comerciais do Estado de São Paulo. Hoje no local funciona o SESI, na entrada do Zaíra.

E – Indústria de Cerâmica Cerqueira Leite S/A. Em 8500 m² de área industrial impulsionou a fabricação de isoladores no Brasil, vendendo seus produtos para diferentes indústrias de eletricidade instaladas no território nacional.

F – Atlantis do Brasil. Indústria química inglesa, em funcionamento desde 1934. Com cerca de duzentos empregados, todos homens, produzia anil (corante azul), comercializado em todo o País. De acordo com estudos sobre o meio ambiente, é apontada como a maior poluidora química inorgânica da Bacia do Tietê, pois se utilizava do leito do Tamanduateí para se desfazer de restos do processo de produção, no qual eram utilizados enxofre, carbonato de sódio e potássio, além de xisto.

G – Porcelana Mauá. Em atividade de 1937 a 1968, é a pioneira no ramo de porcelana fina no Brasil.

H – Estação de Trem, inaugurada e denominada em 1/4/1883, Estação de Pilar, assim nomeada até 1926, quando foi oficializado o nome Mauá para designar o município, em homenagem a Irineu Evangelista de Souza, Barão e, mais tarde, Visconde de Mauá.

I – Indústrias Reunidas Francisco Matarazzo. Essa empresa dedicou-se principalmente à moagem de sal e foi diretamente responsável pela instalação da energia elétrica no município.

J – Atual avenida João Ramalho, asfaltada na década de 50 pelo primeiro prefeito do município, Ennio Brancalion.
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