O movimento de mulheres de Mauá (década de 1980) O movimento de mulheres de Mauá (década de 1980) | Mauá Memória, história e Cultura



O MOVIMENTO DE MULHERES DE MAUÁ

A história do Movimento de Mulheres de Mauá é também a história das mulheres de todo o mundo, com lu-tas que levaram muitas vezes à derrota como à vitória. Mas o principal, e opinião comum de todas as mulheres que participam do Movimento, é a crescente conscientização que a mulher vem experimentando nos últimos anos, de sua condição como ser discriminado e ausente das grandes decisões políticas que passa a sociedade humana. 

Completando 6 anos de existência, o Movimento se prepara para realizar uma profunda reflexão do momento político e de como as mulheres poderão caminhar unidas para levarem adiante suas lutas. Lutas que pertencem a todas as mulheres, indistintamente de classe social, pois mesmo sabendo-se que é sobre os ombros da mulher da classe operária que recai, com maior peso a discriminação social, os problemas de ordem econômica, política, etc., estes problemas somente sofrerão forte alteração quando a metade da humanidade resolver se unir e caminhar junta. 

LUTAS E CONQUISTAS 

Os anos de 1981 e 1982 foram marcados por conquistas em virtude da coesão existente no Movimento, que realizou em 1981 o I Encontro das Mulheres de Mauá. Nesse Encontro, onde compareceram cerca de 520 mulheres, foram debatidos problemas inerentes à condição da mulher e formas de participação mais efetiva nas lutas da classe operária. 

A partir deste Encontro, o Movimento de Mulheres ganhou maior consistência, levando as mulheres a participarem mais ativamente da vida do município. Enfrentando autoridades e a sociedade machista, o Movimento de Mulheres de Maná, lutou para a implantação no município do Programa Metropolitano de Saúde, para a construção de creches em todos os bairros, por melhorias nos serviços de saúde e participou, juntamente com a Federação das Sociedades Amigos de Bairros, entidades e moradores do Parque das Américas, em movi-mento que reivindicava a construção da estação ferroviária do Guapituba. Foi em 1982, que o Movimento ganhou maior representatividade e respaldo no município, em função de suas reivindicações que encontraram das mulheres forte apoio. 

Um grupo de mulheres representantes de bairros, reuniu-se no paço municipal para cobrar do prefeito Dorival Rezende da Silva, a construção de doze creches, promessa feita por ele dias antes, em um programa de televisão. O grupo levava consigo um abaixo assinado com cerca de 15 mil assinaturas de homens e mulheres. Apesar deste ato e do calhamaço de assinaturas não terem convencido o prefeito e demais autoridades, o Movimento prossegue nesta luta que naturalmente é de suma importância à mulher trabalhadora e à mulher que vê-se presa ao lar por não ter onde deixar seus filhos. 

Ainda nesse ano, realizou nas dependências do Ginásio de Esportes da Prefeitura, um debate com todos candidatos à prefeito no município. O Movimento coordenou o debate, dando no final oportunidade para que o público presente questionasse os políticos. Em 1983, o Movimento sofreu quebra devido à crescente partidarização de alas do movimento, que provocou a dispersão de diverso grupos de mulheres. Desde então o Movimento tenta, sem muito sucesso, reaglutinar suas diversas correntes, se assim se pode chamar, para que as mulheres possam lutar por interesses comuns, não tropeçando em barreiras que possam levá-las à dispersão. 

Reportagem: Valderez Coimbra Santos e Nina Alves Custódio