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1-Comece falando dos seus novos projetos,do que se tratam o video game do Roko-Loko e o livro do Tattoo Zinho?

O Tattoo Zinho é um personagem que eu faço há quase nove anos na revista Metalhead Tattoo, que é a primeira e principal revista de tatuagem do Brasil , pilotada pelo jornalista César Nemitz.O Zinho é o primeiro personagem tatuador dos quadrinhos , nunca vi nenhum outro antes dele.O público que curte tatuagem cresceu muito nos últimos anos e , assim eu criei um personagem com o qual esse publico, tanto os tatuadores quanto os apreciadores de tatuagens, podem se identificar.Ele retrata com muito humor e besteirol o universo dos tatuadores e da tatuagem.Como já vão se fazer nove anos que ele é publicado, resolvi juntar todas suas HQs num único livro, que será lançado agora em agosto numa grande festa no bar Blackmore, em São Paulo. O livro sairá pela Opera Graphica e terá o mesmíssimo padrão gráfico e visual dos livros do Roko-Loko,pois quero que as pessoas identifiquem meus livros como uma série e os colecione.Será a Enciclopédia do Baraldi(rs)!!!

Já o vídeo-game também um produto pioneiro, pois será o primeríssimo video-game para PC de um personagem autoral não-infantil a ser prensado e vendido nas lojas brasileiras.Antes desse game do Roko só haviam games bem simples, de personagens infantis como Turma da Mônica e Menino Maluquinho. Este game do Roko é bem mais complexo, tem três fases e o jogador tem que entrar no Castelo do Ratozinger, arquiinimigo do Roko-Loko, combater vários perigos , libertar vários roqueiros famosos, como Gene Simmons ,Ozzy Osbourne, Rob Halford ,e na ultima fase, terá o confronto final com o Ratozinger, jogando-o aos crocodilos e libertando a Adrina –Lina, namorada do Roko-Loko que foi seqüestrada pelo cruel Ratozinger!

O game está sendo prensado pela Sonopress e será vendido em lojas e points roqueiros na sua versão pronta, com caixinha e tudo por apenas dez reais.Mas também vamos disponibiliza-lo de graça no site da Rock Brigade ,www.rockbrigade.com.br , para a molecada mais duranga poder baixa-lo e brincar a vontade sem gastar um tostão.Mas dessa forma ele não terá a caixinha nem o CD prensado, com rotulo profissional, etc.Terá apenas o game para brincar no computador.Tomamos essa decisão para que o maior numero possível de garotos e fãs do Roko possam ter acesso ao jogo.Quero que o game seja extremamente popular.

 

2-Como você começou a ler e gostar de hq?

Eu travei contato com os gibis ainda muito pequeno, quando ainda nem sabia ler. Tinha tanto fascínio pelos gibis que ficava pentelhando minha mãe para me ensinar a ler só para devorar aqueles gibis,.Minha mãe, coitada, teve a maior paciência e me deu noções de leitura e eu rapidamente aprendi a ler graças a ela e os gibis do Mauricio de Souza, “Mônica” e “Cebolinha”.Posso dizer que fui mais uma dos milhões de crianças brasileiras que foi alfabetizada com ajuda da Turma da Mônica.Dali pra frente me apaixonei tanto pelos gibis que nunca mais parei de lê-los e aos 16 anos entrei na profissão , fazendo meus próprios quadrinhos.



3-Como foi começar a desenhar?


Eu tinha vocação para desenhar e fazer palhaçadas desde pequeno. Adorava inventar personagens e historias.Quando conheci os gibis me identifiquei imediatamente com aquilo tudo, ficou claro que eu tinha vocação pra fazer parte daquele ramo.Nasci para os quadrinhos! Lembro que com uns 4, 5 anos, eu já enchia cadernos e mais cadernos com desenhos de personagens e historias que eu criava , aí eu fazia minha mãe escrever os balões pra mim , pois ainda não sabia escrever.Tenho esses cadernos em casa até hoje!Quando dominei a leitura e a escrita ,com uns seis anos, aí ninguém me segurou mais (rs)!Era capaz de ficar horas na mesa da cozinha bolando historias e mais historias.Minha mãe adorava quando isso acontecia, pois só assim eu ficava quieto(rs).Eu sempre fui um moleque muito agitado e estabanado, daqueles insuportáveis mesmo (rs) e o melhor jeito de me fazer ficar quieto era me dar muito papel e muitas canetinhas SilvaPen, que eram umas canetinhas hidrográficas para crianças .Eu consumi zilhoes daquelas canetinhas(rs)! Era um moleque hiperativo e ,como desenhista ,era compulsivo, desenhava em todas as folhas que me davam, acabavam as folhas eu desenhava no papel do pão, na mesa, na parede, no chão, minha mãe ficava doida(rs)!Eu tinha que fazer daquela fissura toda minha profissão mesmo! 


4-Você já tinha pretensão de se tornar o cartunista famoso que é hoje?

Eu desde moleque sempre tive muita imaginação e era muito sonhador.Eu sonhava com o futuro, minha familia era muito pobre, muito proletária,meus pais eram operários de fabricas,típicos do ABC paulista daquela época(anos 60 e 70) e eu, desde moleque sonhava em ter uma boa profissão e sair daquela pobreza.E olha justo QUAL PROFISSAO eu fui escolher pra isso(gargalhadas)!!!Mas eu comecei a trabalhar com 11 anos de idade, fui entregador de folhetos, flanelinha, entregador de roupas numa lavanderia, ate que aos 16, entrei no Sindicato dos Químicos, como chargista e meio faz-tudo na imprensa de lá!Naquela época, tudo que eu queria era trabalhar e melhorar de vida, tinha trauma da minha condição de garoto suburbano pobre!Mas me identifiquei tanto com a imprensa sindical que descobri que era o cara certo fazendo a coisa certa no lugar certo!!!Conforme os anos foram passando ,tive muitas crises de insegurança, mas passavam rápido, no fundo tinha uma certeza inabalável de que eu estava fazendo a coisa que fui mandado ao mundo para fazer.Assim como nasci para os quadrinhos , também nasci para imprensa Sindical e Alternativa!Se eu consegui me estabelecer nesse ramo e ter uma carreira sólida nele foi por causa dessas certezas e do meu empenho e paixão pelo que faço!


5-Como vc definiu seu traço e estilo de trabalho?

Quando era criancinha pequena mesmo, gostava de desenhar muitos bichinhos, super-herois , carros mirabolantes e naves espaciais.Era fissurado por esses temas.Depois, com uns 8 anos descambei pros super-herois e monstros de vez(rs)!!!Adorava desenhar historias de heróis combatendo monstros e vilões, com muitos carros e naves extraordinárias.Adorava cenas de batalhas e combates intermináveis(rararar)!!!Nessa época eu tinha descoberto Marvel e DC comics , então estava naquela fase que todo garoto passa, só quer saber de super-herois.Com uns 14, 15 anos eu ate que desenhava bem nesse estilo, se tivesse um mercado para esse tipo de quadrinho na época eu poderia ter me desenvolvido nele.Mas como não havia ,eu encontrei trabalho como chargista mesmo , na imprensa sindical e tive que aprender a linguagem da charge e do Cartum, na marra!!!Lembro que logo que eu entrei no Sindicato, os caras pediam para eu desenhar um trabalhador convocando a categoria pra assembléia e eu desenhava um cara gigante , tipo o Hulk, gritando”Venham todos pra assembléééééiaaa!!!”(rs).Aí o pessoal reclamava”Pô,Marcio! Esse cara tá parecendo o Hulk!!!”(ra,rararar).Aí eu tive que aprender a estilizar e compactar os bonecos até ficar no formato do Cartum, mas foi rápido.O trabalho era tão intenso, era tanto exercício prático, que num instante eu achei meu caminho e defini meu estilo básico. Depois foi só evoluir dentro dele!



6-Por que será que,na sua opinião,desenhista de hq só consegue se projetar se fizer humor?

Porque esse mercado de super-herois, terror, aventura, ficaçao, etc, não está bom no Brasil atualmente. Noas anos 50 e 60 haviam muitas revistas nacionais com esses temas, muitos profissionais como Jayme Cortez,Rodolfo Zalla, Eugenio Collonese, Julio Shimamoto,Getulio Delphim,Edmundo Rodrigues, Walmir Amaral e outros, conseguiam viver só de quadrinhos de aventuras(terror, heróis, etc).Havia naquela época uma cultura na população brasileira de consumir esse tipo de quadrinhos.Havia também , o principal:poder aquisitivo para a população gastar com gibis, que naquela época eram muito baratos, pois eram todos em preto e branco, papel jornal,tiragens altas, etc.Enfim gibi, naquela época era cultura de MASSAS mesmo, muito diferente de hoje onde o gibi está cada vez mais sofisticado, papel couche, cores computadorizadas, etc, e caros , e portanto cada vez mais distantes da massa e mais elitizados.Então o que aconteceu foi que a economia do pais foi se deteriorando, o desemprego surgindo e as pessoas já não podiam consumir gibis como antes.Então os quadrinhistas migraram todos (ou quase todos ) para a publicidade ou para os jornais para trabalharem com humor (cartuns, charges políticas, tiras de humor , etc).O Brasil sempre teve tradição de ter muitas charges e humor em seus jornais ,e como este ficou sendo um dos poucos redutos para quadrinhistas , o desenho de humor acabou se fortalecendo no Brasil, criando tradição e gerando sempre novos cartunistas. Enquanto os quadrinhistas afins de fazer super-herois e similares tiveram que tentar exportar seu trabalho para os EUA e Europa a partir do fim da década de 80 através das agencias COMUU e Artecomix.Já no fim dos anos 90 , com o advento da Internet, esses quadrinhistas encontraram espaço para colocarem sua produção nos sites também, ou ,claro, através dos fanzines e publicações independentes.


7-Como é o seu processo de criação de personagens?

Eu crio de acordo com o publico para o qual ele vai ser destinado.Observo o perfil do publico e faço algo com o a qual esse publico se identifique.Em alguns casos, quando tenho o mesmo perfil que aquele publico acabo colocando muito de mim mesmo no personagem, que é o caso do Roko-Loko, já que eu sempre fui roqueiro. Em outros casos é feeling, senso de observação e profissionalismo, mesmo! 


8-Sobre o Roko-Loko,há planos de um terceiro álbum?

Seeeemmmm duuuuviddaaaa!!!!!O terceiro sai em 2006 ,depois vêm o quarto, o quinto...




9-Como foi a criação dele?


Foi na marra(rs)!Eu levei uma única historieta pro Fernando ,da Rock Brigade, e ele adorou logo de cara.Aí ele me obrigou a fazer uma todo mês(rararara)!!!Eu topei o desafio e já se completaram quase DEZ ANOS e quase 120 historias!!! 


10-Você já recebeu alguma reclamação de algum leitor que se sentiu ofendido por alguma sátira sua?

Isso já aconteceu com qualquer cartunista! Já teve alguns leitores que ficaram bravos porque eu zoei com algum ídolo deles e nego mandou carta dizendo que ia me dar porrada , essas coisas(rs). Mas era tudo carta sem nome, sem endereço, sem nada. Coisa de molecada radical mesmo!Eu sei como é isso, também já fui assim na adolescência(rs)!


11-Há um pouco de você no Roko-Loko?Ou em algum outro dos seus personagem?

O Roko-Loko é meu lado roqueiro, moleque sonhador , idealista e otimista incorrigível!Tem muito de mim também no Sabujo Vingador, cachorro super-herói que faço para revista e pro site da Dynamite, ele representa minha indignação , revolta e tristeza com as desgraças do mundo e da Humanidade.É um outro lado meu, com o Sabujo eu faço uma terapia pra digerir toda a infelicidade e reafirmar minha fé na vida! 


12-Comente um pouco sobre sua experiência em revistas de hq's e de rock.

Comecei na Brigade em janeiro de 1996, no mesmo ano estiquei também para a Dynamite ,Metalhaed e Metalhead Tattoo(onde faço o Tattoo Zinho).Na seqüência estiquei também para Roadie Crew, Valhalla, Comando Rock e Rock Underground.

Em cada uma faço uma serie ou personagem diferente exclusivo para aquela revista.Na Comando Rock faço o “Guerrilheiro da Guitarra”, na Valhalla, faço os roqueiros-maloqueiros “Maluco e Beleza”,na Metalhead faço a seção “Humortífero”, na Rock Underground faço o”Roque Metaleiro e Vivica” , pra Dynamite criei o “Sabujo Vingador “ e “Ultravesti” (dois super-heróis) e pra Roadie Crew faço cartuns curtos com bandas nacionais ou estrangeiras, a seção “Metal Joke”.


13-Você trabalha pra várias revistas do Brasil.Como consegue tempo pra cada uma?

Nao conta pra ninguem, mas eu sou um andróide que não precisa dormir(rarar)!Brincadeira! Eu tenho que ser extremamente disciplinado, pra dar conta de todo o trabalho e nao misturar as bolas de um com outro.Tenho que saber de cor as datas de fechamento de cada revista e controlar minha agenda para respeitar os prazos de entrega de cada uma.É só ser disciplinado que dá tudo certo!


 14-E as idéias pra histórias,não acaba?Nunca te deu um branco" eventual? 

Não podem acabar senão eu tô na rua(rs)!!!Eu preciso estar sempre reciclando e renovando as ideias pra não secar a fonte nunca. Pra isso estou sempre me informando, lendo jornais, etc,pra reciclar as informaçoes e a inspiraçao.

Pra mim qualquer noticia ou assunto é matéria prima pra um cartum ou HQ! Esse negocio de dar "branco" nao pode acontecer,estou tao escaldado em fazer cartuns que sempre aparece alguma ideia. Mas pra um caso de emergencia extrema, eu sempre tenho uns cartuns ineditos guardados na gaveta,são meus "planos B"(rarara)! 


15-Qual a melhor e a pior coisa em ser quadrinhista no Brasil? 

A pior é que ainda é tudo muito dificil, mercado dificil ,está tudo muito no começo ainda. Ainda temos tudo por construir nesse ramo.Mas apesar das dificuldades há muita coisa compensadora: a satisfação de fazer o que você gosta ,o prazer de alcançar as pessoas e de conhecer muita gente bacana. Só isso já vale o esforço! 


16-Mesmo na atual situação do mercado de HQ's no Brasil,que dicas e conselhos você daria pra quem quer PUBLICAR? 

Começar em lugares pequenos.Tenha a humildade de começar sua carreira em veículos pequenos pra ir crescendo com o tempo.Muita gente quer começar do topo ,aí o negócio não rola e o sujeito fica frustrado!É preciso pensar na carreira como uma coisa construída um pouco por dia e de forma constante, como uma parede que você coloca um tijolo por dia e, depois de um tempo, quando vai ver, já fez um puta paredão!É mais lento, mas dá muito mais satisfação ir conquistando uma vitória por vez, você saboreia cada uma delas com muito mais tesão!E como já dizia o mestre Roberto Freire:"sem tesão não há solução!",nem cartumzão(rs)!Definitivamente, essa é uma profissão que sem tesão, não rola! 

Entrevista concedida a Lexy Soares para fanzine “Justiça Eterna”, em 20 /07/2005.

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