Lembranças da Galeria do Rock no final dos anos 90 Lembranças da Galeria do Rock no final dos anos 90 | Mauá Memória, história e Cultura


Por Alex Ferreira

A Galeria do Rock, oficialmente Centro Comercial Grandes Galerias, é um centro comercial localizado na cidade de São Paulo. Foi construído em 1962 e inaugurado em 1963 no número 439 da Avenida São João, no centro da capital de São Paulo, entre as ruas 24 de Maio e o Largo Paysandu.

Lembro no final dos anos 90, mas precisamente em 1997, quando comecei a frequentar a Galeria do Rock em São Paulo, aquele era o paraíso para fãs de Rock de qualquer segmento e ponto de encontro das tribos urbanas de São Paulo e muita coisa mudou de lá para cá e por isso resolvi escrever um pouco sobre esse época.

Em 1997 eu trabalhava como Office boy e recebia um valor baixo de salário se não me engano era mais ou menos R$ 120,00 na época e ouvia Punk Rock e diversas outras bandas de outros segmentos e mesmo com a internet na época a gente não conseguia comprar e nem obter informações sobre as coisas por lá igual hoje e não tinham muitas lojas com variedade de produtos no ABC (ah tinha a Metal, mas falarei disso em outra matéria).

Então muitos de nós que trabalhavam duro na semana, guardávamos um dinheirinho para poder comprar nossos precisos itens na Galeria do Rock no centro de São Paulo, A Maioria pegava o trem e descia na estação da Luz e de lá ia a pé até a Galeria e nesse percurso você tinha a sua disposição diversos Sebos que vendiam discos e livros e também algumas bancas de jornais e no meio desse caminho era quase certeza de encontrar o Pedro de Lara em algum mercadinho da região, eu mesmo o via frequentemente nessa região, nas ruas tínhamos os famosos cachorros quentes com 2 ou 3 salsichas por R$ 2,00 e com suco grátis, que eu já vi os caras fazendo num balde na rua, mas enfim era o que tinha kkk, além dos hippies que ficavam nos arredores desse trajeto Estação da Luz-Galeria do Rock, ficavam muitos camelôs vendendo discos antigos, livros e quadrinhos então muitas vezes você comprava por ali mesmo antes de chegar na Galeria.

Nos arredores da Galeria na direita como eu disse anteriormente tinha uma dezena de vendedores de cachorro quente com aquelas promoções de "Cachorro quente com 2 ou 4 Salsichas por R$ 2,00" e muitas vezes o povo comia por ali mesmo por que na Galeria o lanche apesar de barato era sempre um pouco mais caro do que na rua, e nessa época na avenida São João existiam dezenas de sebos de livros, quadrinhos e discos ali nos arredores da galeria, hoje restaram pouquíssimos, passado por lá esse ano (2018) pude identificar apenas um que restou e ainda mudou de endereço.

Chegando a galeria do Rock você podia encontrar Punks, Góticos, Skins, Headbangers e é claro os Rappers que ficavam ali no subsolo que muita gente chamava de Galeria do Rap, nos andares superiores o que predominava era o Rock em seus variados estilos e as lojas vendiam bottons, chaveiros, fanzines, camisetas e discos muitos discos, além de fitas K7 que era versões "piratas" de coisas que nunca foram lançadas no Brasil e coisas que você nunca iria conhecer se não fosse por esse sistema alternativo de distribuição de conhecimento.

A galeria era ponto de referência para shows, pois sem internet igual existe hoje, para você saber se ia ter algum evento bacana ou para divulgar o show da sua banda seja ele no ABC, Litoral ou na grande São Paulo e interior, você tinha que ir até lá e olhar os cartazes que ficavam fixos na frente das lojas e no caso de ser uma banda pedir para colocar seu cartaz na frente de alguma loja. e dali muita gente já combinava com os amigos  de ir ou não ao show que muitas vezes você ficava sabendo na hora que iria acontecer naquele dia, muitas vezes dali mesmo a gente já saia para algum show e nem voltava em casa, nas lojas você podia pegar os "flyers" panfletos preto e branco com informações de shows. 

Lá também era ponto de referência para produções independentes como Fanzines e Jornais e para divulgar seu fanzine era quase que obrigatório deixa-lo em alguma loja da galeria para distribuição ou venda e depois de algum tempo receber pelo correio alguma cartinha de alguém que leu seu fanzine e gostaria de manter contato com você.

O forte da Galeria no meu ponto de vista na época, além dos acessórios eram os discos, era muito disco a venda com preços entre R$ 2,00 e R$ 1.000,00 era muito disco para vender e tinhamos lojas lá que além de vender também produziam discos como era o caso de Devil Discos, você achava Discos e produções independentes em fita K7 ou CDR com capinhas xerocadas das mais diversas bandas e estilos que muitas vezes criavam seu público por ali mesmo.

Lá você podia encontrar nos finais de semana cantores, instrumentistas, atores e outras celebridades que iam na galeria em buscas de discos, A Baratos Afins eram um lugar onde você achava muita gente, como o Ed Motta por exemplo., Normalmente as bandas underground quando viam ao Brasil tocar sempre passavam por lá no sábado a tarde para conhecer a galeria.

Esse foi um breve relato da visão que eu tinha da Galeria em meados de 1997/1998 época que eu ia lá quase todo final de semana, com o advento da Internet parece um pouco da magia da galeria se perdeu, pois a graça era ir para lá buscar as "raridades" a preço baixo e voltar para casa com as sacolinhas lotadas de discos raros, livros, bottons e fanzines com aquele sorriso na cara e a vontade de chegar logo em casa e colocar aquele disco novo na vitrola, mas ela ainda é o maior ponto de referência do Rock no Brasil, caso você queria contribuir com seu relato sobre a Galeria é só enviar o texto por email para: abcfun@outlook.com.br