Memórias de Mauá: Grêmio Monteiro Lobato Memórias de Mauá: Grêmio Monteiro Lobato | Mauá Memória, história e Cultura



Prosseguindo no ciclo de palestras patrocinadas pelo GRÊMIO CULTURAL MONTEIRO LOBATO, com o indispensável apoio dos poderes municipais, realizou-se com inteiro êxito aos 23 dias do mês findo, com início às 20:30 horas, nos salões da Câmara Municipal, em jubilo a passagem do seu 5.o aniversário a sua segunda conferência proferida pelo eminente professor FERNANDES SOARES, figura de projeção nos meios intelectuais e culturais de nosso país, a qual teve por título "Os Sertões ao Alcance de todos" baseada na obra de Euclides da Cunha "Os Sertões". Contou a mesma com a presença de altas autoridades municipais, Sr. Ennio Brancalion, prefeito municipal Sr. Jorge Paschoalick, presidente da igreja local, vereadores do Sr. Mario Graciotti, diretor do Clube do Livro, que pela segunda vez nos visita, além de seleto público que tomou conta de todas as dependências do salão. 

Iniciada a conferência o presidente do Grêmio Cultural retratou em rápidas palavras o que é o Grêmio quais as suas finalidades, e sua curta e gloriosa existência. Usando da palavra a seguir o Sr. Mario Graciotti, biografou o conferencista, e dizendo-se satisfeito por poder estar outra vez no seio desta sociedade que tão bem sabe receber os seus hospedes. Iniciando a sua palestra o Professor Fernandes Soares, agradeceu a acolhida generosa de que foi alvo, e passando a dissertar sobre o tema da pre-sente, mostrou o quanto Euclides da Cunha é grande em seu livro "Os Sertões" comparando-o aos "Luziadas" de Luiz de Camões, da nossa mãe pá-tria. Terminando colocou-se a disposição dos presentes para alguma pergunta, respondendo a todas com brilhantismo tendo nelas os aceite de toda a platéia. 

Por fim recita a poesia "A árvore" de sua autoria composta por inúmeros pedidos de seus alunos e ex-alunos e em homenagem ao serviço de arborização da cidade de São Paulo. Encerando a conferência o prefeito municipal agradeceu em nome da coletividade a que representa o brilhantismo das palavras a pouco ouvidas, portadoras de um profundo conhecimento cultural e um espírito tão grande de brasilidade. 

"JOSÉ FRANCISCO DA ROCHA POMBO" (Biografia) O grande historiador patrício JOSÉ FRANCISCO DA ROCHA POMBO, era natural do Estado do Paraná, onde nasceu por volta do ano de 1857, vindo a falecer no Rio de Janeiro, nos idos de 1933, foi figura culminante de sua época. Escritor dos mais fecundos legou-nos mais de uma vintena de livros, tendo na sua •HISTORIA DO BRASIL, a sua obra máxima, apresentada II em 5 volumes, contendo ao 1 todo 22 vastos capítulos, rela-ta com toda a minúcia as mais diversas fazes da vida nacional, deste os antecedentes histéricos de nossa pátria, até a ocasião da comemoração do primeiro centenário da Independência do Brasil, isto em 1922. 

Deve a esta obra a sua entrada na ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS, onde não chegou a tomar posse pois veio a falecer. Fundou e dirigiu diversas revistas e jornais sempre com o brilhantismo e a capacidade que lhe era peculiar. Apesar de ser uma pessoa de largos conhecimentos históricos, geográficos e ' políticos, eram parcos os seus recursos financeiros. Quando de sua morte em sua oração de despedida ao acadêmico Celso Vieira proferiu as seguintes palavras que dizem bem de sua tempera. "SE AS ESTATUAS"iniquidades, e as coroas de bronze, esculturais, solvem os débitos avolumados 

Folha de Mauá, 20 de Setembro de 1958