Por Orlando Lisboa de Almeida

Fomos da turma do colégio Viscondão do final dos anos 60. Turno noturno, pois a maioria da turma pegava pesado no trabalho durante o dia e estudar tinha que ser à noite.  

Nossa vida social era mais ligada aos colegas de trabalho e aos colegas de colégio, com quem ficávamos mais tempo juntos.  Formamos amizades muitas das quais chegaram até os dias atuais com uma pequena ajuda das redes sociais.    

Entre os amigos do Viscondão tínhamos colegas talentosos inclusive na arte da poesia.    O Josias Ramos, filho do Capitão Rufino, era um deles mas no time há o Moyses Amaro Dalva, o Samuel Aguiar, o Sebastião Ferreira da Silva, que assinava Comandante.     Na turma que frequentava o Bar do Yugo e o Bar ABC, tinha outros jovens poetas que interagiam com o grupo, sendo o Castelo Hansen um deles.    E havia um mais maduro, o Aristides Teodoro, o leitor dos mil livros e crítico literário.

Um belo dia o Josias avisou a turma, um tempo depois do período colegial, que iria lançar um livro de poesias.   E nessa apontou pra mim e disse:    O Lisboa aqui vai fazer o prefácio do livro.    Primeiro, achei que era piada de ocasião, mas depois vi que era verdade no duro da cebola.   Aí eu que sempre fui um leitor razoável, sugeri que ele sendo um anônimo no setor editorial, deveria arranjar alguém com certa visibilidade para lhe apresentar a esse mundo.    Ele disse que nada disso!  

Passa um tempinho e ele avisa. O livro está na gráfica  (Zanella Artes Gráficas Ltda – de Mauá-SP).   Faz aí um prefácio e vamos rodar o livro.    Conhecedor de várias poesias dele e do jeitão da figura, escrevi umas linhas e ele achou que estavam de bom tamanho.

Nome do livro:   Apelo; mesmo nome de uma das poesias.

Era o ano de 1977.  Passa pouco tempo e ele, com aquela bolsa de couro a tiracolo, estilo hippie, aparece no Bar ABC numa típica sexta feira à noite com a galera reunida e avisa.    Daqui a pouco tem lançamento solene do meu livro de poesias.

    Leva a turma até a porta do restaurante, tira um punhado de exemplares da bolsa e faz um gesto com o braço como se arremessasse os livros para o meio da rua.    E disse:   O livro está lançado ao público.    Era o dia 27-12-1977 e disso eu lembro porque tenho agora aqui um exemplar na mão, autografado pelo canhoto poeta Josias Ramos que hoje em dia lamentavelmente mora em outro plano.     Este era o estilo do poeta.

Para completar, eu já morando fora de Mauá, o Josias lançou mais um livro de poesias e optou por fazer o que chamou de pré-fácil:   Escolheu umas quatro linhas com uma frase minha do prefácio anterior e tascou lá no segundo livro.      Pré-Fácil.....     (tudo entre aspas)     e meu nome.  Como diria o Chicó:   Só sei que foi assim.



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