Quando qualquer carro virava lotação: o transporte alternativo que salvou Mauá nos anos 90
Nos anos 1990, muito antes dos aplicativos de mobilidade, Mauá já contava com um transporte alternativo essencial para a população. Durante greves e falhas no sistema de ônibus, carros particulares passaram a funcionar como lotação informal, ligando o centro, o terminal e a estação de trem aos bairros mais distantes. Mais baratos que os táxis e fundamentais para quem precisava voltar para casa, esses veículos preencheram lacunas da mobilidade urbana e marcaram o cotidiano da cidade. O modelo, lembrado hoje com nostalgia, foi um precursor das vans e do transporte alternativo regulamentado que surgiria anos depois.
Antes do Uber: o transporte alternativo que salvou Mauá nos anos 90
Muito antes dos aplicativos de mobilidade transformarem a forma de ir e vir nas cidades, Mauá já conhecia, na prática, o que hoje se chamaria de transporte alternativo. Durante os anos 1990, especialmente em períodos de greve dos ônibus, os carros de lotação se tornaram a única saída para milhares de trabalhadores que desembarcavam no Terminal de Ônibus ou nas proximidades da estação de trem e precisavam chegar em casa.
O fenômeno não surgiu por acaso. Com a rápida industrialização do ABC Paulista a partir dos anos 1970 e o crescimento acelerado da população, Mauá expandiu-se para além do centro, alcançando bairros cada vez mais periféricos. O sistema de transporte coletivo formal, porém, nem sempre acompanhou esse avanço. Linhas insuficientes, longos intervalos e paralisações frequentes abriram espaço para soluções improvisadas.
Foi nesse cenário que os carros de lotação ganharam força. Veículos particulares — muitas vezes modelos populares e espaçosos da época, como Brasília, Gol, Passat, Santana, Monza, Caravan e até peruas familiares — passaram a operar de forma informal, transportando passageiros em rotas conhecidas entre o centro da cidade, o terminal ou a estação ferroviária até bairros distantes. Não havia padrão: valia o carro que estivesse rodando e tivesse espaço para mais gente.
O funcionamento era simples e direto. O motorista anunciava o destino ainda no ponto ou próximo ao terminal, o passageiro entrava e o valor, quase sempre mais barato que o cobrado pelos táxis, era pago em dinheiro. Durante as greves de ônibus, esses carros se tornavam indispensáveis. Para quem chegava de trem e encontrava o transporte coletivo paralisado, a lotação informal era, muitas vezes, a única forma de voltar para casa após um dia inteiro de trabalho.
Mesmo atuando à margem da regulação, esses motoristas preenchiam uma lacuna real da mobilidade urbana e criavam uma rede improvisada que funcionava na base da confiança e da necessidade. Hoje, o tema é lembrado com nostalgia por muitos moradores e aparece com frequência em grupos de memória local, onde histórias, trajetos e até os modelos dos carros ainda são citados com carinho.
Esse modelo, improvisado e essencial, acabou servindo de precursor para o transporte alternativo que viria anos depois, como as vans e os sistemas regulamentados. Antes do Uber, antes dos aplicativos, Mauá já tinha encontrado seu próprio jeito de driblar a falta de mobilidade — no banco de trás de um carro de lotação, dividido com vizinhos, colegas de trabalho e as histórias vividas no caminho de casa.
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