1984: crescimento recorde, trens lotados e uma cidade no limite

Em 1984, Mauá viveu um dos períodos mais marcantes de sua história recente. Com crescimento populacional acelerado, impulsionado pela migração e pela expansão industrial do Grande ABC, a cidade ultrapassou 270 mil habitantes e passou a enfrentar sérios desafios urbanos. A dependência do transporte ferroviário, a infraestrutura insuficiente, a expansão de áreas de sub-habitação e indicadores sociais preocupantes revelavam uma cidade em transformação. Ao mesmo tempo, educação, cultura e esporte se consolidavam como pilares de identidade e resistência, fazendo de 1984 um ano decisivo para a formação da Mauá contemporânea.

1984: crescimento recorde, trens lotados e uma cidade no limite

Em 1984, Mauá vivia um dos períodos mais intensos de sua história recente. Inserida no contexto de forte expansão urbana do Grande ABC, a cidade já havia ultrapassado a marca de 272 mil habitantes, com uma taxa anual de crescimento de 7,3%, reflexo direto dos fluxos migratórios e da concentração de trabalhadores atraídos pela dinâmica industrial da região 

Apesar do avanço populacional, Mauá carregava as marcas de uma cidade-dormitório. Grande parte da população dependia diariamente dos trens para trabalhar em municípios vizinhos, especialmente São Paulo, São Bernardo do Campo e Santo André. A estação ferroviária local figurava entre as mais movimentadas da região, registrando mais de 11 milhões de passageiros em trens suburbanos ao longo daquele ano, evidenciando a centralidade do transporte ferroviário na rotina dos moradores.

O parque industrial, embora significativo, ainda era insuficiente para absorver toda a mão de obra disponível. Em 1984, Mauá contava com 152 indústrias, com destaque para o setor metalúrgico, que sozinho reunia 44 unidades. O setor industrial empregava cerca de 25 mil trabalhadores, enquanto o comércio e os serviços somavam outros milhares de postos, revelando uma economia diversificada, porém pressionada pelo crescimento populacional acelerado

No campo social, os números expunham contrastes. O município registrou 5.539 nascimentos e 1.263 óbitos, com uma taxa de mortalidade infantil elevada, atingindo 65 mortes a cada mil nascidos vivos. A expansão urbana desordenada resultava em 75 núcleos de sub-habitação, distribuídos em áreas públicas e privadas, reforçando a urgência por políticas habitacionais e infraestrutura básica.

Os serviços urbanos avançavam de forma desigual. A rede de água atendia cerca de 93% da cidade, enquanto a rede de esgoto alcançava apenas 23% do território municipal. A pavimentação cobria pouco mais de 220 quilômetros de vias, e a arborização ainda era restrita a parte das vilas. Na segurança pública, foram registradas 2.482 ocorrências policiais, incluindo roubos, agressões e homicídios, números que acompanhavam a complexidade social de uma cidade em rápida transformação.

Na educação e na cultura, Mauá mantinha uma estrutura em expansão, com dezenas de escolas estaduais e municipais, uma faculdade de desenho industrial, bibliotecas, cinema, anfiteatro e intensa atividade cultural, representada por grupos artísticos, escolas de samba e manifestações populares. O esporte também ocupava espaço relevante, com clubes tradicionais e a consolidação do Grêmio Esportivo Mauense, fundado poucos anos antes e símbolo do orgulho esportivo local

Assim, Mauá em 1984 se apresentava como uma cidade marcada por contrastes: crescimento acelerado e carência de infraestrutura; dinamismo econômico e desafios sociais; identidade operária e forte sentimento comunitário. Um retrato fiel de um município que, ao mesmo tempo em que crescia, buscava compreender e preservar sua própria história.

Referência bibliográfica

MEDICI, Ademir. De Pilar a Mauá. Mauá: Prefeitura do Município de Mauá / Secretaria de Educação, Cultura e Esportes, 1986.

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