Os primórdios da educação em Mauá: as primeiras escolas do Pilar

Naquela época, o Pilar fazia parte da Freguesia de São Bernardo, que só se tornaria município em 1889. Mesmo assim, antes da chegada da iluminação a querosene, da inauguração da Capela de Santa Cruz e até da oficialização dos nomes das ruas, já existiam escolas em funcionamento na região.

Os primórdios da educação em Mauá: as primeiras escolas do Pilar
Os primórdios da educação em Mauá: as primeiras escolas do Pilar

A história da educação em Mauá começa ainda no final do século XIX, muito antes de a cidade ganhar infraestrutura urbana básica. O povoado do Pilar, que se desenvolveu ao redor da Estação Ferroviária inaugurada em 1883, foi o primeiro cenário dessa trajetória educacional.

Naquela época, o Pilar fazia parte da Freguesia de São Bernardo, que só se tornaria município em 1889. Mesmo assim, antes da chegada da iluminação a querosene, da inauguração da Capela de Santa Cruz e até da oficialização dos nomes das ruas, já existiam escolas em funcionamento na região. Esses dados mostram que a educação esteve entre as primeiras necessidades da comunidade local.

A escola mais antiga de que se tem registro no Pilar foi criada em 1896 e tinha um caráter bastante particular: era uma escola “ambulante”. A professora Anna Nóbrega Barboza dividia seus dias entre o Pilar e Rio Grande (atual Rio Grande da Serra), lecionando em um local a cada dia da semana. Essa experiência revela tanto a escassez de recursos quanto o esforço para garantir o ensino às crianças da região.

Embora essa escola tenha sido suspensa em 1898 por conta da redução no número de alunos, ela foi reaberta pouco tempo depois, quando a população voltou a crescer. Documentos da Câmara Municipal de São Bernardo mostram a preocupação das autoridades em manter o ensino ativo, tratando-se do registro mais antigo já encontrado sobre a educação em Mauá.

Entre os anos de 1903 e 1912, livros de chamada e matrícula da chamada “Escola Mista da Estação Ferroviária do Pilar” revelam um retrato rico do cotidiano escolar. As turmas reuniam crianças brasileiras e estrangeiras, principalmente filhas de imigrantes italianos, além de espanhóis e até uma aluna argentina. Essa diversidade reflete o intenso movimento migratório que marcou o início do século XX.

As profissões dos pais também ajudam a compreender o perfil social do povoado: operários, lavradores, negociantes, funcionários da estação ferroviária e trabalhadores ligados às pedreiras e à nascente indústria local. A escola, muitas vezes instalada em casas de famílias da própria comunidade, funcionava como um importante espaço de convivência e formação.

Na organização do ensino, era comum a separação por gênero, embora escolas mistas fossem criadas quando o número de alunos não permitia turmas distintas. As aulas tinham duração de cinco horas diárias, com horários ajustados conforme as estações do ano e as dificuldades de deslocamento.

Ao longo das primeiras décadas do século XX, diversas professoras passaram pelas escolas do Pilar, garantindo a continuidade do ensino mesmo diante das limitações estruturais. Esses registros revelam não apenas dados administrativos, mas sobretudo o esforço coletivo de uma comunidade que enxergava na educação um caminho para o progresso.

Assim, ao revisitar as primeiras escolas do Pilar, percebemos que a história da educação em Mauá é marcada pela persistência, pela diversidade cultural e pelo compromisso com o futuro — valores que seguem presentes na identidade da cidade até hoje.

Você conhecia essa parte da história da educação em Mauá? Se viveu, ouviu histórias ou tem memórias ligadas às antigas escolas da cidade, compartilhe nos comentários. Sua experiência também faz parte dessa história — e vale a pena ser contada e compartilhada.

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