Philips de Capuava: a fábrica que iluminou o Brasil e marcou a história industrial de Mauá

Durante décadas, a unidade da Philips instalada no bairro Capuava foi um dos maiores símbolos da industrialização de Mauá. Reconhecida como uma das mais modernas fábricas de lâmpadas da América Latina, a empresa desempenhou papel fundamental no desenvolvimento econômico da cidade, gerando milhares de empregos, impulsionando a tecnologia nacional e transformando a região em um dos principais polos industriais do Grande ABC.

Philips de Capuava: a fábrica que iluminou o Brasil e marcou a história industrial de Mauá

Durante décadas, a unidade da Philips instalada no bairro Capuava foi um dos maiores símbolos da industrialização de Mauá. Reconhecida como uma das mais modernas fábricas de lâmpadas da América Latina, a empresa desempenhou papel fundamental no desenvolvimento econômico da cidade, gerando milhares de empregos, impulsionando a tecnologia nacional e transformando a região em um dos principais polos industriais do Grande ABC.

A história da fábrica começou em 1954, quando a S.A. Philips do Brasil adquiriu um terreno de 101.621 metros quadrados na Avenida Comendador Wolthers, em Capuava. No ano seguinte, em 1955, foi inaugurada a nova unidade industrial destinada à fabricação de lâmpadas, projetada para atender tanto o mercado brasileiro quanto a exportação.

Na época, a planta era considerada uma referência em tecnologia. Com constantes investimentos em modernização, a unidade expandiu rapidamente suas atividades e passou a fabricar uma ampla variedade de produtos ligados ao setor de iluminação.

Crescimento acelerado

Ao longo dos anos, a Philips ampliou significativamente suas instalações. Em meados da década de 1970, a fábrica já possuía 36.395 metros quadrados de área construída e empregava aproximadamente 1.500 trabalhadores, tornando-se uma das maiores empregadoras de Mauá.

Sua linha de produção era bastante diversificada, incluindo:

  • Bulbos e tubos de vidro;
  • Lâmpadas incandescentes;
  • Lâmpadas fluorescentes;
  • Lâmpadas automotivas;
  • Lâmpadas miniatura;
  • Reatores para iluminação;
  • Bases para lâmpadas;
  • Luminárias industriais, comerciais, residenciais e de iluminação pública;
  • Fieiras de diamante utilizadas na indústria.

Em 1973, a capacidade produtiva impressionava:

  • 40 milhões de lâmpadas incandescentes;
  • 4,5 milhões de lâmpadas fluorescentes;
  • 20,5 milhões de lâmpadas para automóveis;
  • 3,6 milhões de lâmpadas miniatura.

A unidade também mantinha quatro laboratórios especializados — químico, controle de qualidade, aplicação e medição de luminárias — responsáveis pelo desenvolvimento de novos produtos e pelo controle técnico da produção.

Evolução da fábrica

A expansão da unidade de Capuava pode ser observada em sua cronologia industrial:

  • 1955 – início da produção de vidro;
  • 1956 – fabricação de lâmpadas miniatura;
  • 1957 – início da produção de lâmpadas fluorescentes;
  • 1960 – fabricação de bases para lâmpadas;
  • 1969 – início da produção de luminárias.

Esse crescimento acompanhou o desenvolvimento industrial do Grande ABC, consolidando Mauá como um importante centro manufatureiro do Estado de São Paulo.

Mudanças no mercado

A partir dos anos 1990 e principalmente na década de 2000, o mercado mundial de iluminação passou por profundas transformações. A concorrência internacional, especialmente de fabricantes asiáticos, a evolução tecnológica e a substituição gradual das lâmpadas incandescentes por modelos mais eficientes reduziram a competitividade da produção tradicional.

Outro fator decisivo foi a política de eficiência energética adotada pelo governo brasileiro, que retirou gradualmente do mercado as lâmpadas incandescentes, produto que durante décadas foi um dos carros-chefes da fábrica de Capuava.

Com isso, a Philips iniciou uma reestruturação mundial de suas operações industriais.

O encerramento das atividades

Em 2010, a Philips anunciou o encerramento da produção de lâmpadas em Mauá, colocando fim a uma história de aproximadamente 60 anos no município. A decisão fazia parte de uma reorganização global da companhia diante da queda na demanda por lâmpadas convencionais e da migração para tecnologias de iluminação em LED.

O fechamento afetou centenas de trabalhadores e marcou o fim de um dos ciclos mais importantes da industrialização mauaense. A fábrica, que durante décadas foi referência em inovação e geração de empregos, tornou-se um símbolo da transformação da economia brasileira, cada vez menos dependente da indústria de base instalada no ABC Paulista.

Embora a produção tenha sido encerrada, a Philips deixou um legado significativo para Mauá. Milhares de profissionais passaram pela empresa, muitos receberam formação técnica em seus laboratórios e diversos fornecedores cresceram graças à presença da multinacional na cidade.

A história da Philips de Capuava permanece como um dos capítulos mais importantes da memória industrial de Mauá, representando uma época em que o município figurava entre os principais centros produtivos do país e ajudava a iluminar milhões de residências, ruas e veículos no Brasil e no exterior.

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