Saiba tudo sobre o avião que caiu em Mauá

Descobrimos tudo sobre esse fato que marcou a região, em junho de 1990, um avião monomotor caiu em pleno Jardim Zaíra, em Mauá, matando quatro pessoas de uma mesma família. O acidente deixou marcas profundas e deu origem à “Rua do Aeroporto”, nome que resiste até hoje como lembrança do dia em que o céu desabou sobre a cidade.

Saiba tudo sobre o avião que caiu em Mauá

Era manhã de sexta-feira, 15 de junho de 1990. O relógio marcava pouco depois das 10h quando um som ensurdecedor rompeu a rotina pacata do Jardim Zaíra. Do céu coberto por uma neblina densa, um avião monomotor surgiu cambaleando. Em segundos, a aeronave se chocou contra duas casas e, em seguida, explodiu ao atingir o morro logo adiante.

O impacto foi tão forte que o chão tremeu. Pedaços do avião se espalharam por quintais, telhados e vielas. O que antes era uma manhã tranquila transformou-se em um cenário de pavor e desespero.

A bordo estavam quatro pessoas de uma mesma família: o piloto francês Henri Luc Claudius Maraninchi, sua esposa Ana Célia Barcelos Maraninchi, e as irmãs Nadir e Marta Aparecida Barcelos. Eles haviam decolado do Campo de Marte, em São Paulo, às 9h45, rumo a São José dos Campos. Quinze minutos depois, o destino mudava para sempre.

“Parecia que o céu tinha se partido ao meio”, relembra dona Josefa Sabino de Souza e Silva, moradora da casa onde o avião caiu. “Quando ouvi o barulho, pensei que fosse um caminhão batendo. Mas quando saí, vi a fumaça, fogo e pedaços por todo lado. Um pedaço da asa ficou preso no muro. Foi horrível.”

Outros moradores também guardam lembranças vívidas daquele dia. Seu Antônio Ribeiro, que na época trabalhava como pedreiro em uma obra próxima, conta: “A gente ouviu um estouro, depois veio aquele vento quente e a fumaça subindo. Fomos correndo ajudar, mas não deu pra fazer nada. O avião estava em chamas. A mulher gritava lá dentro, mas o fogo tomou tudo muito rápido.”

A neblina dificultava a chegada dos bombeiros e confundia quem tentava ajudar. Dona Tereza Ferreira, costureira, moradora da rua, lembra do medo que tomou conta da vizinhança: “Foi um caos. As pessoas gritavam, choravam, ninguém sabia o que fazer. Eu nunca esqueci o cheiro de combustível queimado. Ficou no ar por dias.”

A cena marcou para sempre a vida dos moradores. Um ano depois, a mãe do piloto, ainda em luto, foi até o local. “Ela queria construir uma capela para o filho, mas não conseguiu. Deixou flores e chorou muito”, recorda dona Josefa. “Ela viu um sapato no chão e gritou: ‘É do meu filho!’. Eu sabia que não era. Ele usava sapato de camurça preta. Eu me lembro como se fosse ontem.”

O acidente transformou o bairro. A Rua Marcos Martins da Silva passou a ser conhecida popularmente como “Rua do Aeroporto”, um apelido que sobrevive até hoje, mesmo que ali jamais tenha existido pista ou hangar. “Quando alguém fala ‘Rua do Aeroporto’, todo mundo sabe de onde é”, explica seu Antônio. “Mas pra quem viveu aquilo, o nome ainda dói.”

Décadas depois, a lembrança daquele dia continua viva nas conversas, nos olhares e até no silêncio dos mais velhos. Foi o dia em que Mauá viu o céu cair sobre o Jardim Zaíra. O dia em que uma tragédia virou memória, e uma rua simples ganhou um nome eterno.

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