Quando Mauá passou a decidir seus próprios rumos: A instalação da primeira Câmara Municipal

A cerimônia foi conduzida pelo Juiz Eleitoral da 156ª Zona, Dr. Jesuíno Ubaldo Cardoso de Mello Filho, responsável também por Ribeirão Pires. O espaço estava tomado por autoridades locais e regionais, refletindo a importância daquele momento não apenas para Mauá, mas para todo o ABC Paulista.

Quando Mauá passou a decidir seus próprios rumos: A instalação da primeira Câmara Municipal

Na manhã de 1º de janeiro de 1955, Mauá viveu um daqueles dias que se inscrevem para sempre na memória coletiva. Às 10 horas, no prédio recém-destinado ao Poder Legislativo, na Avenida Barão de Mauá, nº 160, ao lado da Prefeitura, acontecia a instalação da primeira Câmara Municipal do município emancipado. Era o início oficial da vida política autônoma de Mauá.

A cerimônia foi conduzida pelo Juiz Eleitoral da 156ª Zona, Dr. Jesuíno Ubaldo Cardoso de Mello Filho, responsável também por Ribeirão Pires. O espaço estava tomado por autoridades locais e regionais, refletindo a importância daquele momento não apenas para Mauá, mas para todo o ABC Paulista. Compareceram os prefeitos das demais cidades da região — Fioravante Zampol (Santo André), Lauro Gomes (São Bernardo do Campo), Anacleto Campanella (São Caetano do Sul) e Artur Gonçalves de Souza Junior (Ribeirão Pires) — além do bispo de Santo André, Dom Jorge Marcos de Oliveira, do presidente da Câmara andreense, Luiz Boschetti, e do deputado federal Carmelo Dagostino, entre outros convidados.

Chamados um a um, os vereadores eleitos prestaram compromisso público diante do Juiz Eleitoral. A declaração era simples, mas carregada de significado:
“Prometo exercer com dedicação e lealdade o meu mandato, respeitando a lei e procurando o engrandecimento e o bem geral do município.”
Com essas palavras, Mauá oficializava o nascimento de seu Legislativo e consolidava, na prática, a autonomia conquistada poucos meses antes nas urnas.

Em seguida, realizou-se a eleição da primeira Mesa Diretora da Câmara, em votação aberta. Jorge Paschoalick foi escolhido presidente; Inocêncio Pedro, vice-presidente; Pedro Chiarotto, 1º secretário; Angelo Gianoni, 2º secretário; e José Mauro Lacava, 3º secretário. Coube a Paschoalick assumir a presidência da sessão e dar posse ao prefeito Enio Brancalion e ao vice-prefeito Élío Bernardi, eleitos para comandar o município em sua fase inaugural.

O encerramento da solenidade foi marcado por discursos que exaltaram a trajetória de luta da população mauaense e o significado histórico da emancipação. Mais do que um rito administrativo, aquele ato simbolizava a passagem de Mauá para uma nova etapa: a de uma cidade capaz de decidir seus próprios caminhos.

Nos primeiros anos, a Câmara Municipal funcionava de forma modesta. As sessões aconteciam uma vez por semana, às quartas-feiras, a partir das 20 horas, e o cargo de vereador não era remunerado. Ainda assim, naquele espaço começava a ser construída a base institucional de um município que dava seus primeiros passos com autonomia, participação e esperança.

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