As primeiras eleições: O início da vida política municipal de Mauá
A principal fonte para o acompanhamento da campanha eleitoral foi a Folha de Mauá. A análise de suas edições revela que o jornal, assumidamente autonomista, favorecia de maneira clara os candidatos ligados ao movimento de emancipação.
A primeira eleição municipal da Mauá autônoma representou a etapa final do processo de emancipação política do município. O pleito ocorreu de forma simultânea às eleições estaduais e federais, nas quais também eram escolhidos governador e vice-governador do Estado, deputados federais, estaduais e senadores.
Entre os candidatos a prefeito, destacavam-se figuras já bastante conhecidas da vida política, social e cultural de Mauá. Egmont Gerd Fink, nascido em São Paulo em 1916, era engenheiro eletricista e trabalhava na Cerâmica Cerqueira Leite. Participante ativo da Sociedade Amigos de Mauá, foi presidente da Comissão de Emancipação e um dos principais líderes do movimento autonomista.
Ariocy Rodrigues Costa também teve papel central na campanha pela emancipação. Atuou intensamente na vida cultural da cidade, presidiu o Independente Futebol Clube, foi redator-chefe da Folha de Mauá e membro destacado da Comissão de Emancipação. Trabalhava no Departamento Pessoal da Cerâmica Mauá (Paulista).
Cícero de Campos Póvoa atuava no ramo imobiliário, enquanto Ênio Brancalion, nascido em Campinas em 1907, trabalhava como canteiro na Pedreira da Chácara dos Padres, nas proximidades do atual Jardim Cruzeiro. Brancalion foi chefe do Partido Comunista Brasileiro (PCB) em Mauá e chegou a ser eleito vereador em Santo André em 1947, mas não tomou posse em razão da ilegalidade do partido à época.
A principal fonte para o acompanhamento da campanha eleitoral foi a Folha de Mauá. A análise de suas edições revela que o jornal, assumidamente autonomista, favorecia de maneira clara os candidatos ligados ao movimento de emancipação, sobretudo Egmont Fink e Ariocy Rodrigues Costa. Essa preferência se refletia tanto no espaço dedicado às candidaturas quanto no tom adotado nas matérias.
Um exemplo disso aparece na forma irônica com que o jornal noticiou a candidatura de Cícero de Campos Póvoa, ressaltando sua pouca participação nos debates políticos locais. A candidatura pelo PDC foi definida cerca de um mês após a instalação do diretório do partido em Mauá. Seu candidato a vice, Liberale Polisel, era presidente do diretório local e também colaborador da Folha de Mauá, onde escrevia artigos de cunho religioso.
Egmont Fink teve seu nome escolhido em 19 de julho de 1954, em reunião da coligação PSP–UDN. O lançamento oficial de sua candidatura ganhou destaque na primeira página da Folha de Mauá, em um discurso que apelava diretamente ao sentimento autonomista e ao histórico de abandono vivido pelo distrito antes da emancipação. Seu companheiro de chapa, Tercílio Tamagnini, era descrito pelo jornal como membro de uma tradicional família mauaense e figura bastante estimada na cidade.
Ao lançar Ariocy Rodrigues Costa como candidato a prefeito, o PSD ressaltava sua ampla popularidade no município e seu trabalho contínuo por mais de 30 meses na Comissão Pró-Emancipação de Mauá. Seu vice, Mário Milanezi, era apresentado como alguém profundamente comprometido com a causa local e com potencial para contribuir para o desenvolvimento do novo município.
Já a candidatura de Ênio Brancalion recebeu menor destaque nas páginas da Folha de Mauá. Em uma das raras menções, o jornal limitou-se a afirmar que o candidato possuía um amplo círculo de amizades e poderia obter uma votação expressiva, destacando ainda a força eleitoral do partido que o apoiava. Sobre Élio Bernardi, seu candidato a vice e então vereador por Mauá na Câmara de Santo André, não foram encontradas referências ou avaliações no periódico.
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