Entre a roça e a fé: o cotidiano das famílias no antigo Pilar

O texto apresenta o cotidiano do antigo Pilar, destacando a vida simples baseada na agricultura, na alimentação caseira, no vestuário prático e nas festas religiosas. Plantações e criação de animais garantiam o sustento das famílias, enquanto a comida e as roupas refletiam o trabalho diário. As festas e novenas tinham papel central na convivência social e na fé, fortalecendo os laços comunitários. Esse modo de vida contribuiu para a formação da identidade cultural de Mauá e permanece como parte importante de sua memória histórica.

Entre a roça e a fé: o cotidiano das famílias no antigo Pilar

Antes da industrialização transformar o perfil urbano de Mauá, a vida no antigo Pilar era marcada por uma rotina simples, profundamente ligada à terra, à religião e às relações comunitárias. As plantações, a forma de vestir, a alimentação e as festas religiosas revelam um modo de viver que ajudou a moldar a identidade cultural da cidade.

A base da economia local estava na agricultura. Pequenas plantações cercavam as casas e garantiam o sustento das famílias. Milho, feijão, mandioca, verduras e frutas eram cultivados em terrenos próximos às moradias, enquanto a criação de galinhas e porcos complementava a alimentação. O excedente, quando existia, era trocado ou vendido, reforçando laços de cooperação entre vizinhos.

A comida refletia essa relação direta com a terra. As refeições eram fartas, porém simples, preparadas no fogão a lenha e compartilhadas em família. Pão caseiro, polenta, feijão, arroz, legumes colhidos na hora e carnes conservadas artesanalmente faziam parte do cardápio cotidiano. Comer não era apenas uma necessidade, mas um momento de convivência e fortalecimento dos vínculos familiares.

O vestuário acompanhava o ritmo do trabalho rural. As roupas eram resistentes, muitas vezes feitas em casa ou reaproveitadas por anos. Homens vestiam calças grossas, camisas simples e chapéu, indispensável para o trabalho ao sol. As mulheres usavam vestidos longos e aventais, quase sempre costurados por elas mesmas. A elegância ficava reservada para ocasiões especiais, como missas, festas e encontros comunitários.

As festas religiosas ocupavam papel central na vida social do Pilar. Eram momentos de celebração, mas também de encontro e pertencimento. Quermesses, procissões e comemorações dos santos padroeiros reuniam famílias inteiras, fortalecendo a identidade coletiva. Nessas ocasiões, a cidade ganhava outro ritmo: música, comidas típicas e devoção dividiam o mesmo espaço.

As novenas, realizadas nas casas ou nas capelas, representavam um importante elo entre fé e convivência social. Rezar em grupo era também uma forma de apoio mútuo, de troca de histórias e de fortalecimento da solidariedade entre os moradores. A religião, mais do que prática espiritual, era um elemento organizador da vida cotidiana.

Esse modo de viver, marcado pela simplicidade e pela proximidade entre as pessoas, começou a se transformar com a chegada das indústrias e o crescimento acelerado da cidade. No entanto, as lembranças das plantações, da comida caseira, das roupas simples e das festas religiosas permanecem como parte essencial da memória de Mauá, ajudando a compreender as raízes humanas e culturais do município.

Fonte: MEDICI, Ademir. De Pilar a Mauá: A formação da comunidade. Mauá

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